A competência necessária, no ato de pular corda, para a economia do movimento envolve três condições fundamentais:
1. Ímpeto suficiente para superar a inércia inicial do objeto (corda).
2. Momento suficiente para preservar e sustentar a continuidade do movimento ou o arco, constante da corda.
Controle da força centrípeta e da tendência centrífuga resultante do movimento da corda ao servir de pivô em tomo dó corpo, e dos punhos da corda ou alavanca.
Como as duas primeiras condições são afetadas em grande parte pela massa do objeto (corda), que é virtualmente insignificante, elas apresentam obstáculos mecânicos que são facilmente superáveis. A última condição, contudo, exige que o executante controle as forças associadas com o movimento circular. A força centrípeta e a tendência centrífuga são forças ativas e reativas, respectivamente, que podem, para vantagem pessoal, serem efetivamente reduzidas ou neutralizadas através da aplicação dos seguintes métodos:
1. Fortalecendo a empunhadura durante velocidades altas.
2. Aumentando o raio do giro para reduzir o índice de rotações. Esta ação, que é conseguida mediante aumento do ângulo de percurso dos braços, provoca o aumento do momento de inércia favorecendo o desenvolvimento do torque (força angular) através do recrutamento dos grandes grupamentos musculares (ombros).
3. A redução da velocidade real da corda através do esforço consciente.
4. Aumentando o comprimento físico do punho da corda (alavanca) ou a distância do ponto de aplicação da força (empunhadura) em relação ao ponto de pivô (eixo) da corda. O que se ganha em força perde-se em velocidade, mas como a força centrípeta varia com o quadrado da velocidade, a puxada centrífuga exercida nas mãos do executante fica significativamente diminuída.
5. Aumentando o comprimento.
O momento desenvolvido num segmento do corpo pode ser transferido para todo o corpo, e quanto mais pesado e maior for o segmento corporal, e quanto maior sua velocidade, maior será sua contribuição para o momento total do corpo.
O ato de pular corda funciona como uma extensão dos braços e desta forma o movimento angular dos braços produzem um momento que é transferido para as extremidades da parte inferior do corpo e traduzidas em movimento vertical.
Princípios: Efeitos do Momento. O momento é o produto da massa e da velocidade: portanto, se qualquer destes componentes forem aumentados, o objeto possuirá proporcionalmente um momento maior.
A redistribuição da massa da corda (momento de inércia) e/ou da velocidade pode ser utilizada para alterar o momento. Se a corda possuir um momento maior quando atingir o solo antes do impulso, a quantidade de força dissipada na superfície pode ser minimizada mediante redução do tempo em que ela permanece em contato com o sol o.
Princípio: Aceleração máxima e eficiência no movimento. Pare se conseguir a aceleração máxima, todas as forças disponíveis devem ser aplicadas em seqüência, com a cronometragem correta e o mais direcionado possível na linha de movimento pretendida. Qualquer ação corporal estranha ao movimento desejado deve ser reduzida ao mínimo, pois gasta energia e interfere nos movimentos produtivos.
Este princípio aplica-se diretamente ao desempenho eficaz da velocidade do pulo, cujo objetivo é completo o maior número de revoluções no menor espaço de tempo. Para se atingir este nível, todos os movimentos em excesso, como pular muito alto ou usar ação excessiva dos braços devem ser eliminados, e os desvios assimétricos como a inclinação lateral da cabeça ou tronco também devem ser eliminados a fim de não dissipar a energia em direções conflitantes com a linha de movimento pretendida. Qualquer movimento estranho reduz a e eficácia do movimento total.
6. Princípio: Efeito do raio do corpo na velocidade rotativa. Quando um corpo gira, o aumento do raio diminui a rotação, enquanto a diminuição do raio aumenta a rotação, pois a resistência contra a força rotativa torna-se proporcionalmente menos eficaz.
A posição da corda em relação ao centro de gravidade do corpo determina o comprimento do raio. Durante as várias fases do ato de pular corda o raio diminui e aumenta (para compensar a perda do momento quando a corda se encontra com o solo). O aumento do raio durante o balanço para cima serve para proporcionar mais força às custas da velocidade de modo que o momento possa ser restabelecido. Assim, uma corda mais longa girará mais lentamente pois precisa que o executante aumente seu raio (abra os braços) para acomodar o aumento no comprimento. Uma corda mais curta girará mais rapidamente mas limitará a quantidade de tempo de reação ao movimento da corda, causando a fadiga mais rapidamente e tornando mais propensos os erros.
Os Princípio Contra-Força7. Princípios: Variação da superfície e contra-força. Quando se aplica força a uma superfície estável, uma contra-força volta ao corpo. Quanto menos estável for a superfície, menor será a contra-força.
Ao se pular corda, a superfície rebate com força igual e oposta à força aplicada, impulsionando assim o corpo. Este princípio tem lugar durante a fase de carga. Se a superfície possuir muita acomodação ou ceder bastante, a contraforça fica dissipada, limitando portanto a magnitude da força que pode ser repassada ao executante. O resultado final é menos propulsão.
8. Princípio: Direção da contra força. A direção da contra-força é diretamente oposta à força aplicada, e a força aplicada é mais eficaz quando for perpendicular à superfície de apoio, pois o risco de escorregar ou ceder fica minimizado.
Este princípio simplesmente estabelece que para se eliminar o movimento linear a pessoa que estiver pulando corda deverá direcionar sua força para baixo em ângulos retos com a superfície de contato, com o centro de gravidade acima do ponto de impulso, e não para fora nos lados, na frente ou nas costas.
9. Princípio: Força total. A força total é a soma das forças de cada segmento do corpo que contribui para a ação, se as forças forem aplicadas numa única direção e em seqüência correta com a cronometragem adequada.
No ato de pular corda a força total é aquela exercida sobre a corda por meio das velocidades individuais das articulações atuantes à medida que se movimentam através de seus percursos específicos. Esta força total pode ser aumentada ou diminuída dependendo da vontade do executante e de seu nível de excelência.
10. Princípio: Duração da aplicação da força. Se uma força constante for aplicada a um corpo, o corpo desenvolve maior aceleração à medida que aumenta o tempo de duração da aplicação da força.
Embora a aplicação de força no ato de pular corda seja contínuo, a velocidade inicial é baixa. A cada revolução consecutiva da corda a velocidade cresce até ser atingido um pique confortável. Esta velocidade permanece constante a não ser que seja alterada pelo próprio executante ou por alguma força ex terna.
11. Princípio: força centrífuga. A puxada mais centrífuga exige uma força mais centrípeta para neutralizá-la. No desempenho humano, a silhueta do corpo e as superfícies inclinadas neutralizam a "tendência centrifuga".
Durante o ato de pular corda existe uma tendência natural da corda de sair de seu arco. Esta tendência deve ser neutralizada através de uma empunhadura firme (força centrípeta) que se combina à magnitude da "tendência centrífuga". Quanto maior o momento transmitido pela corda, maior se toma a tendência centrífuga e a empunhadura deve se tomar mais firme (força centrípeta) para anular esta tendência.
12. Princípio: Absorção do choque. A força do choque pode ser diminuída através da distribuição da força ou num maior período de tempo (e distância) ou na área, ou ambos.
Quando o executante pára após pular, as articulações que absorvem o choque se movimentam através da flexão excêntrica a fim de distribuir o impacto num período maior de tempo e distância. Estas articulaç8es são o tornozelo, o joelho e o quadril. O choque sofrido pelo executante depende da superfície e da altura do salto; uma superfície para parar, acolchoada, causa a absorção da força num período maior de tempo e de distancias. É a freqüência dos choques, contrário à simples magnitude de cada choque, que possui o potencial maior de lesão no ato de pular corda.
O Princípio do Equilíbrio e da Estabilidade
13. Princípio: Centro de gravidade baixo, A estabilidade aumenta abaixando-se o centro de gravidade.
O centro de gravidade apenas se desloca durante o ato de pular corda e geralmente encontra-se acima da base de suporte. Assim, a posição semi-agachada característica da fase de toque no solo não apenas auxilia na absorção do choque mas abaixa o centro de gravidade em favor de maior estabilidade.
14. Princípio: Alargamento da base de sustentação. O equilíbrio e a estabilidade são aprimorados através do aumento da base de sustentação (suporte).
A base de sustentação envolve os pontos de contato com a superfície de suporte, e a área bi-dimensional entre estes pontos de contato.
Quando o centro de gravidade do corpo se move para fora da margem da base de sustentação, a estabilidade fica comprometida. A pessoa que estiver pulando corda deverá tomar cuidado ao tocar o solo somente com as pontas dos pés ou os calcanhares pois a base de sustentação fica menor sob estas condições. Também, qualquer movimento da cabeça para baixo ou para trás fará com que o corpo desloque seu peso naquela direção, abalando a estabilidade. Uma regra geral a ser seguida é "os olhos regem a cabeça e a cabeça controla o corpo". Como a cabeça representa uma parte significativa no peso corporal total, ela se apresenta proeminentemente na manutenção da estabilidade.
O Princípio da Projeção
15. Princípio: O ângulo da projeção. Quando os pontos de início e término encontram-se no mesmo plano, o ângulo ótimo de projeção para se obter a distância máxima no vôo é de 45 graus da superfície (horizontal).
Quando se considera apenas a distancia do vôo, o ângulo de 45 graus é o ângulo desejado de projeção. Contudo, como a altura vertical é essencial ao pular corda, o ângulo obtido é de 90 graus. Isto elimina o componente horizontal e faz da pessoa que pula corda um projétil sujeito às leis da gravidade que regem um corpo em queda livre. Os fatores que determinam quando 0 objeto começa a descer não: peso.(massa) do projétil; quantidade de força de impulsão para cima; e efeitos da resistência do ar no objeto. O último fator é insignificante no caso do ato de pular corda.
Análise Anatômica
O estágio preparatório para pular corda assemelha-se bastante com a posição anatômica, tendo apenas ligeiras modificações. O corpo fica ereto com os braços mantidos próximos ao corpo e antebraços para baixo e para fora num ângulo de 45 graus, com mãos a 8 a 10 polegadas (20 a 25 centímetros) do quadril. Com os punhos da corda firmemente seguros em cada mão e a curvatura da corda colocada atrás dos calcanhares, o movimento inicia-se abaixando-se as mãos e impulsionando-as para trás para a primeira volta, depois da qual cada volta sucessiva é concluída predominantemente por ação dos pulsos. Quando a corda percorre sua trajetória para baixo, o corpo deve responder e julgar, mediante a coordenação muscular e conscientização cinestética, com respeito à posição da corda em relação ao espaço e tempo. O movimento desejado é uma ação balística sutil e controlada que impulsiona o corpo em direção vertical, de modo que a altura conseguida é suficiente para permitir a passagem da corda sob os pés ao mesmo tempo que mantém o movimento contínuo e fluente. A magnitude da altura obtida tem efeito direto na quantidade de tempo gasto sem-sustentação e na quantidade de choque a ser suportado ao reassumir a sustentação ou peso do corpo. A ação mencionada anteriormente pode ser repetida o tempo de desempenho desejado.
Nesta análise, a corda gira a uma velocidade de 158 pés por segundo (48 m por segundo). O ritmo ou cadência é comumente chamado de "pimentinha" e o passo da ilustração como "alternado". O passo alternado é diferente do salto com ambos os pés onde o executante dá impulso com uma perna e toca no solo com a perna oposta, de forma que na realidade está executando um salto. Para se executar este pulo, a pessoa deve deslocar seu peso alternadamente de uma perna para a outra. Este passo é baixo em termos de custo de energia e altamente eficaz pois permite o indivíduo se exercitar em alta velocidade com um mínimo de esforço.
Para melhor compreensão, a ação será ilustrada e explicada em três segmentos distintos. A Fase I é chamada de "fase de carga", iniciando no ponto onde a corda encontra-se logo acima da cabeça já no percurso para baixo, e termina quando as articulações do quadril e joelho são estendidas (pouco antes da passagem da corda sob os pés). A Fase II é chamada de "fase de vôo", composta de um "estágio de propulsão" e um "estágio de transporte aéreo". A Fase II começa no "impulso" e continua por todo 0 breve peifodo de não-sustentação, terminando com o restabelecimento do contato com a superfície de suporte. A Fase III é chamada de "fase de toque no solo'° e compreende um estágio de "reentrada" e de "toque-no-solo". A Fase II começa com a sustentação singular da extremidade inferior e termina com a sustentação dupla das extremidades inferiores. Neste ponto, o corpo readquiriu as condições da "fase de carga" e encontra-se pronto para outro ciclo.
Fase I