A história do Jiu-Jitsu segundo os alunos da UGF

Universidade Gama Filho

 

O Problema
Formulação da Situação Problema
Objetivo do Estudo
Questões do Estudo
Importância do Estudo
Delimitação do Estudo
 
CAPÍTULO II
A Metodologia
Tipologia do Estudo
Instrumento de Coleta de Dados
Fontes
 
CAPÍTULO III
O Surgimento do Jiu-Jitsu
 
CAPÍTULO IV
Introdução do Jiu-Jitsu no Brasil
 
CAPÍTULO V
Conclusão
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CAPÍTULO I
 
 
O Problema
 
A suspeita da não existência de conhecimentos organizados em uma só publicação organizada na história do Jiu-Jitsu no Brasil motivou o grupo a optar por um estudo histórico.
 
A grande evidência que o Gracie Jiu-Jitsu (Jiu-Jitsu brasileiro) está tendo nos últimos anos e sua relação com a violência devido a alguns maus elementos de professores mal preparados mostra que a história deste esporte parece esquecida.
 
O Jiu-Jitsu já esteve em alta aqui no Brasil dos anos 30 aos 50, na figura do grande mestre Hélio Gracie, que aperfeiçoou e difundiu a luta no Brasil. Talvez por falta de profissionalismo da época tenha caído no esquecimento da mídia, só vindo a ter de novo este reconhecimento em 1991, quando ressurgiu com força total no combate entre Luta-Livre X Jiu-Jitsu (transmitido ao vivo pela Rede Globo), apesar dos filhos de Hélio Gracie já terem se firmado nos EUA e terem vencido alguns vale-tudo, na década de 80.
 
A vitória do Jiu-Jitsu no combate de 1991 foi importante a nível nacional para se reafirmar o que no passado Hélio Gracie já havia provado: A superioridade e eficácia do Gracie Jiu-Jitsu perante as outras artes marciais em combates de vale-tudo, competições estas, onde vários lutadores de diversas artes marciais se encontram num ringue para lutarem até que um desista, vale nesta competição todas as regras de todas as lutas, ou seja, qualquer golpe, exceto os golpes baixos.
 
Somente em 1993 o Gracie Jiu-Jitsu começaria a ser respeitado mundialmente com a vitória de Royce Gracie (filho de Hélio Gracie) no primeiro ULTIMATE FIGHTING CHAMPIONSHIP, campeonato de vale-tudo realizado nos EUA. As outras duas vitórias de Royce nos outros dois torneios após este, serviram não só para consolidar o Jiu-Jitsu, mas também para abrir novos espaços deste esporte nos EUA.
 
Em 1994 e 1995, Rickson Gracie (irmão de Royce Gracie) venceu mais dois torneios de vale-tudo no Japão, reafirmando o domínio da luta e colocando a família Gracie e seu Jiu-Jitsu em grande evidência na mídia.
 
 
Formulação da Situação Problema
 
 
Porém não só de vitórias esportivas o Jiu-Jitsu esteve servido. Muitas vezes praticantes estão sendo manchetes das páginas policiais, devido a brigas, e até às vezes roubos e vandalismos. Isto acabou por estereotipar o Jiu-Jitsu como violento e agressivo, o que na grande maioria das vezes não condiz com a realidade. O que acontece é que no passado, quando provocados, os lutadores utilizavam sua técnica para bater nos adversários, e com isto, acabaram por popularizar e difundir a luta. Devido à fama de nunca perderem, os demais adversários acabaram por aderir a esta arte marcial. Logo, os que procuraram esta luta eram pessoas que pretendiam usá-la para fins de briga.
 
O Jiu-Jitsu é uma luta que deposita uma autoconfiança no praticante, que se não souber lidar com ela, poderá criar sérios problemas e confusões, que é o que vem ocorrendo no dia a dia e que acaba por deteriorar a imagem do esporte.
 
A arte marcial como esporte em si têm como objetivo a autoconfiança e a saúde do praticante, mas o que vem ocorrendo é o despreparo de instrutores mal qualificados que, ao incentivar a violência, abalam o prestígio do Jiu-Jitsu no sentido de se tornar um esporte olímpico.
 
O estudo portanto é fundamental neste sentido para não se perderem as fontes primárias que demonstram que apesar da fama, o Jiu-Jitsu não é violência, e sim um esporte como qualquer outra luta, e que quando bem trabalhado pode trazer inúmeros benefícios, tanto físicos quanto mentais.
 
 
Objetivo do Estudo
 
 
O objetivo deste estudo é coletar e ordenar dados históricos relativos à origem deste esporte, a introdução e seu desenvolvimento no Brasil até o mundial ocorrido em janeiro de 1996, a fim de possibilitar a compreensão de hoje através de fatos realizados no passado.
 
 
Questões de Estudo
 
 
O presente estudo investiga a história da origem do Jiu-Jitsu e a introdução deste no Brasil.
Para cumprir a finalidade da pesquisa, foram formuladas as seguintes questões:
 
1. Qual a influência do budismo na origem do Jiu-Jitsu;
2. Qual a importância dos pensamentos de Lao-Tse no desenvolvimento do Jiu-Jitsu;
3. Como os japoneses aprimoraram a luta;
4. Porque ocorreu um esquecimento do Jiu-Jitsu original no Japão;
5. Como foi introduzido o Jiu-Jitsu no Brasil;
6. Que foi aperfeiçoado por Hélio Gracie do Jiu-Jitsu japonês;
7. Qual a importância do vale-tudo na divulgação do esporte;
8. Como o Jiu-Jitsu brasileiro invadiu o meio das artes marciais no mundo inteiro.
 
 
Importância do Estudo
 
 
A falta de uma literatura especializada e organizada cronologicamente com os principais fatos da história do Jiu-Jitsu brasileiro é a principal justificativa para este trabalho.
A realidade deste estudo está respaldada no fato do Jiu-Jitsu ter sido a arte de lutar que mais cresceu nos últimos anos em números de alunos e academias, e isto ocorrendo, o número de curiosos que vêem no Jiu-Jitsu uma ótima fonte de renda, faz com que pessoas incapacitadas comecem a dar aulas e a denegrir o nome do esporte.
 
A decisão de pesquisar o Jiu-Jitsu no Brasil além dos motivos expostos acima, tem por base um interesse de caráter pessoal, já que os autores deste trabalho são praticantes do esporte e pretendem no futuro ser professores. E este estudo poderia contribuir para colocar o Jiu-Jitsu até mesmo como disciplina do departamento de lutas, da escola de educação física da UFRJ abrindo o mercado para profissionais realmente preparados.
 
 
Delimitação do Estudo
 
O estudo em sua 1ª parte aborda a questão histórica do Jiu-Jitsu e das origens das artes marciais em si. Esta 1ª parte será de introdução da origem do tema a ser abordado, tornando mais ricas as fontes de informações.
 
A parte do Jiu-Jitsu no Brasil na qual está fundamentado este trabalho limita-se ao desenvolvimento do esporte desde a chegada dos Gracie e do Conde Koma ao Pará, no início do século, até o Mundial ocorrido em Janeiro de 1996.
 
A investigação optou por mostrar os principais fatos e os principais acontecimentos que tornaram o Jiu-Jitsu a mais famosa arte marcial em termos de eficiência de combate.
 
A história de algumas pessoas que desenvolveram e aprimoraram a arte do Jiu-Jitsu, de certa forma, confunde-se com a própria história do esporte no Brasil.
 
O aumento do número de academias e o conseqüente aumento quantitativo de profissionais envolvidos neste trabalho, faz com que vários curiosos não qualificados se envolvam com o Jiu-Jitsu para simplesmente lucrar, sem se preocupar com a filosofia e com a parte educacional. Porém a investigação menciona também os verdadeiros profissionais que querem o crescimento e desenvolvimento do esporte com a finalidade de ser incluído nos Jogos Olímpicos de 2004.
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CAPÍTULO II
 
 
A Metodologia
 
O capítulo a seguir trata dos procedimentos metodológicos empregados no que se refere à tipologia do estudo, coleta de dados e limitações do método de estudo.
 
 
Tipologia do Estudo
 
 
Trata-se de uma pesquisa histórica, organizada segundo a combinação de princípios históricos cronológicos, lógico-sistemático (Cardoso e Bignoli, 1979).
 
As fontes de informação são selecionadas para descrição de fatos que ocorreram no passado, tentando com isso, um melhor entendimento da História.
 
A produção do conhecimento neste estudo se dará com o resultado do conjunto de informações encontradas e o conhecimento do grupo.
 
 
Instrumento de Coleta de Dados
 
 
Inicialmente manteve-se conversas com o professor Álvaro Barreto e, as demais informações, foram apresentadas em jornais da época, relatos de pessoas envolvidas com a história, como o professor Carlson Gracie, Royler Gracie, Oswaldo Alves e com a secretária da Federação, Dona Marli. Além de dados conseguidos em jornais da época, pela internet e em revistas especializadas em artes marciais.
 
A Federação do estado do Rio de Janeiro forneceu dados históricos colaborando com a pesquisa.
 
Os instrumentos a serem utilizados na pesquisa serão essas entrevistas não estruturadas e análise das fontes.
 
As entrevistas não estruturadas parecem um mecanismo adequado para a coleta de dados dentro da perspectiva da pesquisa; não direcionam rigidamente para o tema, tangenciando-no e a ele retornam sem denunciá-lo; é necessário situá-lo em meio a outros temas significativos que sirvam de estímulo ao entrevistado, possibilitando coleta de dados significativos que favoreçam aos pesquisadores.
 
 
Fontes
 
As fontes de informações em que se baseou o estudo foram dos tipos primário e secundário.
 
Predominaram as fontes primárias, apresentadas por relatos de algumas pessoas envolvidas e pela documentação original das respectivas épocas analisadas.
 
Constitui fonte secundária a documentação advinda de livros e artigos sobre o tema abordado.
 
As questões polêmicas detectadas pelos autores foram elucidadas por meio de consultas a documentos relativos aos períodos estudados.
 
A credibilidade do conteúdo das fontes não é empecilho para este estudo, que se baseou em informantes com credibilidade.
 
Os artigos da época e as pessoas entrevistadas fazem parte da própria história do Jiu-Jitsu.
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CAPÍTULO III
 
 
O Surgimento do Jiu-Jitsu
 
 
Há cerca de 2.500 anos atrás nascia ao norte da Índia o príncipe Sidd Naitha Gautema, homem culto e de grande inteligência, que mais tarde lançaria as bases da religião que teria seu nome e que logo se desenvolveu por toda a Índia, o Budismo.
 
Uma das principais preocupações de Buda (o iluminado), foi dotar seus seguidores de grande cultura e conhecimentos gerais para melhor propagarem a sua fé.
 
Dentre seus seguidores (monges de longínquos mosteiros, obrigados a percorrerem pelo interior da Índia longas caminhadas tendo que se defender contra assaltos de bandidos que infestavam a região) apareceram aqueles que são realmente os criadores da luta que lhes permitiria a própria defesa, sem o uso de armas, o que ia contra a moral de sua religião.
 
Assim nasceu o Jiu-Jitsu, com o espírito de defesa que é a sua essência.
 
A aplicação de leis físicas, movimentos de forças em equilíbrio, centro de gravidade e estudos minuciosos dos centros vitais do corpo humano, propiciaram aos seus criadores fazerem do Jiu-Jitsu uma arte científica de luta.
 
A disseminação do Jiu-Jitsu pela Ásia viria séculos mais tarde, quando cerca de AC 250 , 2 séculos após Buda, reinou na Índia Deva Nampiya Priyadisim, conhecido como Rei Asoka.
 
Abraçando o Budismo, Asoka desenvolveu-o, criando milhares de mosteiros dentro e fora da Índia. Desta maneira o Budismo, e com ele o Jiu-Jitsu, atingiram o Ceilão, Birmânia e o Tibete, depois toda a China, chegando finalmente ao Japão, onde cresceu e tomou grande impulso, emigrando em seguida para o ocidente. A entrada do Jiu-Jitsu no Japão é anterior ao nascimento de Cristo.
 
A morte do Rei Asoka trouxe várias conseqüências para o Budismo e, assim sendo, também para o Jiu-Jitsu.
 
 
Século XII – Século XVI
 
 
Da 1ª metade do século XII até o início do século XV, época de grande banditismo no Japão, constantes lutas entre diversos clãs feudais varriam o país. Não havia armas de fogo e a lei era a do mais forte, com isso mais de 100 estilos foram criados sob a forma de verdadeiras seitas de artes marciais de luta a serviço dos senhores feudais. O Jiu-Jitsu, tornou-se a partir da segunda metade do século XVI a maior arte marcial japonesa e sua maior riqueza. O Jiu-Jitsu se baseou nos fundamentos da flexibilidade, segundo os quais fracos e pequenos poderiam derrubar os grandes e fortes. Estes fundamentos vêm dos escritos clássicos de Lao-Tse, que exemplifica: “Não existe nada mais flexível e fraco no mundo do que a água e, todavia, não há nada que a supere no ataque ao que é resistente e duro. O que não tem resistência penetra onde não há espaços.”, ou seja, seu pensamento é de que a flexibilidade, a maleabilidade e a livre mobilidade proporcionadas pela transformação instantânea, lhe permitam penetrar nos menores interstícios, constituindo fator capaz de se fazer desmoronar uma rocha inflexível e dura. Por isso o Jiu-Jitsu era chamado pelos japoneses de “arte suave”, ou seja, a técnica de defesa pessoal que, com um mínimo de esforço, sem necessidade de força bruta, permite ao mais fraco defender-se e derrotar o adversário mais forte, utilizando a própria força do mesmo (a arte de vencer cedendo). Sendo os japoneses homens de pequena estatura, o Jiu-Jitsu os transformou em poderosos e invencíveis.
 
 
Século XVII ao Século XVIII
 
 
O auge de seu desenvolvimento ocorreu nos séculos XVII e XVIII, durante o shogunato To Kungawa, que por 250 anos isolou o país do resto do mundo. No campo, o número de praticantes era reduzido, e os segredos do Jiu-Jitsu eram guardados zelosamente por uma elite de iniciados. Com tal ciência um único samurai enfrentou e derrotou 10 homens.
 
Em meados do século passado, grave ameaça apresenta-se ao povo japonês, acarretando sério perigo ao seu grande segredo: o Jiu-Jitsu.
 
O Japão, ainda fechado à cobiça ocidental, recebe a visita de uma esquadra norte-americana comandada pelo comodoro Perry, em 8 de julho de 1853, que entregou uma carta intimando o shogun à abertura dos portos, o que veio a ocorrer em março de 1854, com retorno da nova esquadra sob o comando do mesmo Perry.
 
A princípio, foi a abertura dos portos de Shimoda e Hako Date, ambos pequenos e de pouca importância, vindo posteriormente a abertura de novos portos. Com a vitória do imperador sobre shogun em 1889, iniciou-se a fase Meiji.
 
Em 1871, o imperador introduz grandes modificações sociais, propiciando a penetração dos ocidentais. A “ocidentalização” do Japão e a conseqüente entrada estrangeira, iniciada nesta fase, trariam sérios problemas futuros. Os japoneses de pequena estatura com conhecimentos de Jiu-Jitsu tiveram condições de derrotar em uma luta os grandes e fortes ocidentais. Porém, a partir do momento em que estes aprendessem o Jiu-Jitsu, a supremacia técnica dos japoneses em luta corpo a corpo desapareceria. A curiosidade dos ocidentais em aprender o famoso sistema de luta, passou a ser o mais grave problema para os filhos do Império do Sol Nascente.
 
 
O surgimento do Judô
 
Resolveu então, o governo japonês, criar um falso estilo de Jiu-Jitsu para uso externo, sem eficiência como luta real. Assim sendo, por volta de 1880, um funcionário do Ministério da Cultura Japonesa, professor de Jiu-Jitsu, é escolhido para criar o Jiu-Jitsu falsificado para estrangeiros. Nasceu, então, o “Sistema Kano de Jiu-Jitsu”, que mais tarde foi rebatizado com o nome de Judô, criado pelo funcionário do governo Jigoro Kano que, em 1882, fundou a escola Kodokan. Foram assim fechados aos olhos estranhos os segredos de sua arte milenar. Os estilos foram recolhidos. Os 113 estilos de Jiu-Jitsu e milhares de escolas tiveram seu nome mudado para Judô. Os ensinamentos de Jiu-Jitsu passaram a ser crime de lesa-pátria.
 
O Jiu-Jitsu esportivo, que nada mais é do que um esporte das quedas do Jiu-Jitsu baseado no fundamento do Jiu-Jitsu de que “vencer pondo-se da banda de sua própria força e utilizando a força do adversário” (vencer cedendo), foi exportado para o ocidente, acompanhado de grande propaganda. Os japoneses passaram então a treinar o Jiu-Jitsu escondido.
 
O Judô, porém, acabou se tornando uma febre no próprio Japão, quase extinguindo o Jiu-Jitsu.
 
 
Jiu-Jitsu Europeu – Século XX
 
Na Europa, através de publicações, algumas pessoas fizeram uso do Jiu-Jitsu. Em 1905, em Paris, René Dubois lutou contra um boxer. Dubois, o vencedor, era adepto do Jiu-Jitsu.
 
Em 1906 abriu-se em Berlim a 1ª escola alemã de Jiu-Jitsu sob direção de Eric Rahn (que havia aprendido a arte de Katsukuma Higa, autor de uma obra sobre o “Jiu-Jitsu de Gigoro Kano, surgida nos EUA em 1905). Segue-se então um eclipse, e o Jiu-Jitsu é considerado um esporte muito brutal para a Belle Époque, centralizada em Paris.
 
Na América, em 1916, o capitão Sillan Smith é tido como o 1º a obter a faixa preta no Kodokan e publica, no ano seguinte, “Os segredos do Jiu-Jitsu” em 7 fascículos.
 
Em 1947 é fundada a Federação Francesa de Judô e Jiu-Jitsu, porém, os termos deixam de ser confundidos, passando a ser coisas distintas. No entanto o Jiu-Jitsu sofre muitas influências que o diferenciam cada vez mais do Jiu-Jitsu japonês.
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CAPÍTULO IV
 
 
Introdução do Jiu-Jitsu no Brasil
 
Em 1917, Mitsuyo Maeda, mais conhecido como Conde Koma, foi enviado ao Brasil em missão diplomática com o objetivo de receber os imigrantes japoneses e fixa-los no Brasil. Ele fixou-se em Belém do Pará, por se tratar do porto mais próximo uma vez que vindo por via marítima através do Pacífico.
Conde Koma era campeão mundial de Judô e Jiu-Jitsu, ao chegar ao Brasil, possuía graduação de faixa preta sexto dan. Koma, que pesava 75 quilos e media 1,60m. aceitou desafios de qualquer modalidade de luta, vencendo a todos.
Como não tinha uma boa profissão para sobreviver, começou a ensinar Jiu-Jitsu a pedidos de amigos.
A família Gracie chegou a Belém do Pará pela pessoa de Gastão Gracie, filho de James Gracie, escocês que chegou ao Brasil em 1870, estabelecendo-se como banqueiro no Rio de Janeiro.
Gastão entrou para o corpo diplomático brasileiro e designado para um consulado na América Central pegou um navio para o Rio rumo ao seu destino.
O navio fez uma escala em Belém, e Gastão foi visitar a cidade, entrou num baile e encontrou Cislane Pessoa, jovem da sociedade local que lhe pareceu bem mais interessante que os negócios do Estado. Nunca mais voltou ao navio ou a diplomacia. Casou-se e estabeleceu-se em Belém como importador de minério.
Gastão teve cinco filhos, Carlos, Oswaldo, Gastão Filho, George e Hélio. Conde Coma que chegara em Belém em 1917 ficara amigo de Gastão e acompanhou a preocupação de Gastão com a turbulência dos filhos sempre metidos em brigas de ruas, principalmente Carlos, então com dezesseis anos e uma inesgotável capacidade de provocar confusões. Koma observou no garoto um potencial de campeão.
Passou ele a ensinar a Jiu-Jitsu aos garotos. Segundo relatos de Carlson Gracie, filho de Carlos, Conde Koma ensinou tudo a seu pai, somente para ele, inclusive sempre alertando para que nunca ensinasse a técnica para ninguém, dizendo que se as ensinasse, estaria perdido. Nesta época, ainda segundo Carlson, era crime de lesa a pátria Japonesa ensinar Jiu-Jitsu para o resto do mundo. E o Conde Koma não poderia imaginar como o Jiu-Jitsu iria se desenvolver no Brasil pela família Gracie
 
 
Anos 20 – Rio de Janeiro
 
No final da década de 20 a família Gracie mudou-se para o Rio de Janeiro e, em 1930, com 28 anos abriu a primeira academia de Jiu-Jitsu do Brasil, no Bairro do Flamengo. Hèlio, adolescente mirrado e fraco foi proibido pelos médicos de praticar a luta, porem ficava dias inteiros apreciando o irmão. Aprendeu olhando e simulando sozinho os movimentos de combate. Um dia Carlos se atrasou e Hélio acabou dando aula em seu lugar. Virou professor.
Após a morte de Conde Koma, por volta de 1928, Carlos passou a ensinar para os outros irmãos o que o mestre lhe ensinara, como forma de homenagear seu mestre e também para que o Jiu-Jitsu não morresse.
Conde Koma ensinou a Carlos e segundo Carlson, Carlos desenvolveu novas técnicas sem fugir dos fundamentos da luta, transformando a luta numa espécie de xadrez humano, com base em alavancas na qual um homem fraco poderia derrotar um homem forte, desenvolvendo assim o Gracie Jiu-Jitsu. Carlos teria ensinado a Hélio Gracie toda a sua técnica.
Porem Hélio Gracie é considerado o criador do Gracie Jiu-Jitsu, que devido a seu físico franzino, derrotava os adversários com sua técnica. Segundo Helio, Carlos foi o maior difusor do Jiu-Jitsu, porém ele, devido a sua dedicação, era o melhor entre os irmãos. Ele era incansável e não se cansava por não usar força, apenas técnica. Hélio transformou o Jiu-Jitsu em mais agressivo e letal.
Hélio acabou em se transformar em herói nacional, o grande campeão em lutas em estádios e praças públicas. Carlos passou a ser “manager” do irmão, era ele quem dizia com quem Hélio deveria ou não lutar.
George Gracie e Hélio Gracie eram os principais lutadores. George Gracie foi o iniciador dos vale-tudo ao derrotar o homem mais forte do Rio de Janeiro na época, Tico Soledade, campeão absoluto de levantamento de peso e queda de braço, além de ser conhecido por sua valentia.
 
 
Anos 30 aos 40 – A firmação do Jiu-Jitsu
 
Foi um momento de enorme sensação e reconhecimento da eficiência do Gracie Jiu-Jitsu. Entre os anos 30 e 50, Hélio Gracie derrotou todos os adversários que surgiram em sua frente, especialmente mestres de outras lutas. Hélio na época acabou causando um certo prejuízo social dentro do esporte em si, um grande mal estar, pois Hélio falava mal das outras lutas, dizendo que só o Jiu-Jitsu prestava.
A luta que apelidou Hélio como “brigador”, foi em 1930. Hélio tinha apenas 17 anos. Foi contra Fred Albert, vice-campeão mundial de Luta-Livre e que tinha empatado com Jimmy London, um dos mais famosos lutadores dos USA em vale-tudo. A luta foi no estádio de São Cristóvão e sem regras. A luta foi interrompida pela polícia, porém Hélio venceu, embora o oponente não tivesse caído nem desistido.
A mídia dava boa cobertura aos eventos. Jornais da época (O Globo, A Noite e A Noticia) chegaram a dar primeira página para Hélio. Com tanta divulgação, ele já era reconhecido e saudado nas ruas. Hélio Gracie já era o maior mestre do Jiu-Jitsu. Apesar disso tudo, havia ainda os que duvidavam da eficácia do Gracie Jiu-Jitsu, sendo até acusados em público de farsantes, alegando que suas lutas eram todas armadas. Em uma ocasião, Hélio chegou a quebrar os braços e algumas costelas do acusador. Acabou sendo preso por isso, sendo logo solto por indulto do então presidente Getúlio Vargas.
 
 
A primeira academia de Jiu-Jitsu
 
Nessa época a academia dos Gracies ocupava um andar inteiro na Avenida Rio Branco. Tinha uma organização impecável e em média, dois mil alunos. O que chamava a atenção era o fato de haverem muitas aulas particulares e também de o aluno ao pagar a mensalidade ter direito ao kimono que lhe era entregue no ato da matrícula, sendo lavado e entregue em todas as aulas num cesto , pelo roupeiro, mediante o seu cartão de identificação, sem o qual o aluno não poderia freqüentar as aulas, inclusive ajudando no controle do pagamento das mensalidades. Isso mostra o quanto eles levavam a sério o negócio.
Para não se confundir com o Judô, não havia graduações de faixa. O aluno era faixa branca, o instrutor faixa azul escuro e o mestre, azul clara.
Além de Hélio Gracie, dariam aulas, no futuro, os instrutores Carlson Gracie, João Alberto Barreto, Robson Gracie, Armando Vriedt e Helio Vigio. Carlos Gracie era uma espécie de coordenador da academia. A infra-estrutura era tão boa que ainda havia um segundo andar com fisioterapia e enfermaria para tratar de eventuais contusões.
Várias personalidades como então o futuro governador do Rio de Janeiro, Carlos Lacerda e o futuro presidente João Figueiredo foram alunos da academia Gracie. Nessa época, além da academia Gracie, existia a academia de mestre Fada, que foi aluno de George Gracie. Estava localizada no subúrbio da cidade, sendo a pioneira da divulgação do esporte nesta área. Havia, também, a academia de Haroldo Britto, ex-aluno de Hélio, que se localizava em Ipanema.
 
 
O primeiro campeonato de Jiu-Jitsu
 
Nesta época não existiam federações especialmente para o Jiu-Jitsu. Os vale-tudo eram muito violentos, não havia tempo nem interrupções das lutas. Elas só terminavam com a desistência de um dos lutadores, ou seja, o esporte existia mas ainda não havia regras claras, nem organização. E, setembro de 1937, a Federação Brasileira de Pugilismo, com a cobertura de Mário Filho, então diretor do Jornal dos Sports, realizou simultaneamente o primeiro torneio de Jiu-Jitsu e também o primeiro torneio de Luta-Livre do Brasil. Os dois torneios foram realizados no Rio de Janeiro quando ainda era a Capital Federal. Fernando Young, da academia Gracie, treinado por Hélio Gracie, foi o vencedor na categoria absoluto, nos dois torneios, sendo consagrado campeão de Jiu-Jitsu e Luta-Livre, sendo ele próprio praticante da primeira.
 
 
Jiu-Jitsu no Nordeste
 
O Gracie Jiu-Jitsu já era famoso por todo o Brasil e, em 1941, Carlos Gracie foi ao Ceará para ministrar um curso sobre a luta. Carlos impôs um rigoroso sistema para selecionar os que teriam condições de aprender com ele. Dos 77 candidatos, somente 6 foram aprovados e eram eles: Rubens Benevides, Luciano Bizeril. Ernesto Ramos Medeiros, Pedro Hemetério Araújo de Castro, Antonio Ossian de Araújo e Germano Fabias Riquet. O curso foi dado em duas etapas de três meses, no Grêmio de um lugarejo chamado Pacuri, sendo ministrado por Hélio e Gastão, além do mestre Carlos. O aluno de maior destaque foi Pedro Hemetério, que chegou a ser convidado por Carlos, para ser seu auxiliar e dar demonstrações com ele no Praia Clube de Fortaleza. Carlos Gracie foi convidado pelo então coronel da polícia local, General Góes, para ensinar Jiu-Jitsu para a polícia militar, levando com ele, Hemetério, como seu auxiliar. Hemetério chegou a morar com os Gracie no Rio de Janeiro, chegando a ser vice-campeão carioca, só perdendo na final para Carlos Gracie.
Quanto mais o Jiu-Jitsu se elevava na mídia, mais surgiam indivíduos de outras modalidades de lutas querendo desbancar o Gracie Jiu-Jitsu. Além de Hélio, grande campeão e manchete de todos os jornais da época, alguns alunos também participaram e venceram alguns vale-tudo.Geralmente as lutas de seus alunos eram preliminares as do Hélio.
Apareceram muitos lutadores com a pretensão de desbancar Hélio, alvo preferido dos desafiantes. Começaram a aparecer lutadores japoneses e todos apanhavam. Um jornal de São Paulo, o “Nippak-Shimbu” destacava tudo, e todos das colônias japonesas no Brasil exigiam que o Japão mandasse o melhor para acabar com a hegemonia de Hélio e do Gracie Jiu-Jitsu.
 
 
Anos 50
 
Então em 1951 veio o mestre Matsuito Kimura, penta campeão do mundo e japonês de judô, também faixa preta sétimo dam, acompanhado do vice-campeão Kato, quinto dan. Kimura quando viu Hélio disse que não lutaria com ele por acha-lo muito fraco. Ele se sentia muito superior a Helio e colocou Kato para lutar. Kato e Helio lutaram no Maracanã, no início de setembro de 1951. A luta terminou empatada, pois Hélio estava com uma costela quebrada devido a um acidente. No final do mesmo mês de setembro, Hélio torna a enfrentar Kato, desta vez no Pacaembu, em São Paulo. Hélio venceu a luta por estrangulamento logo no segundo round, sendo Kato desmaiado por golpe.
Diante da vitória de Hélio sobre Kato, Kimura se viu na obrigação de desafia-lo. Kimura, trinta quilos mais pesado e nove anos mais novo que Hélio, havia proclamado que, se seu adversário durasse três minutos contra ele, poderia ser considerado vencedor. Hélio resistiu treze minutos. Kimura venceu aplicando-lhe uma chave de braço americana e foi forçando aos poucos, até que Carlos Gracie jogou a toalha, desistindo do combate. Hélio ainda queria lutar, quando o juiz mandou ambos ficarem de pé, pois não havia percebido a manobra de Carlos. Depois, Hélio foi ao juiz e disse acatar a decisão de seu manager e irmão Carlos. Kimura foi declarado vencedor. “Hélio nunca esperava derrotar Kimura. A razão para essa luta era ver como Kimura poderia supera-lo tecnicamente. Constatou que se ambos fossem da mesma categoria de peso, Hélio teria vencido a luta” (depoimento narrativo de Rorion Gracie nas imagens da luta, num documentário sobre o Gracie Jiu-Jitsu). Kimura ficou tão impressionado com a técnica de Hélio que convidou para ensinar na Academia Imperial do Japão. Ele, porém, não quis deixar a família no Brasil. A derrota não abalou o prestígio de Hélio, pelo contrário. Transformou-o em herói nacional, devido a sua coragem e valentia.
 
 
As academias fora do Rio de Janeiro
 
Em 1952, Pedro Hemetério é o primeiro aluno de Hélio a abrir uma academia própria fora do Rio, localizada no Ceará.
Gastão Filho montou uma academia em São Paulo, sendo ajudado por Pedro hemetério, que troca o Ceará por S.Paulo, passando a ensinar na capital paulista. Pedro Hemetério apoiado por alguns alunos monta por volta dos meados dos anos 50 sua academia própria em São Paulo.
O Jiu-Jitsu paulista viveu nesta época uma empolgação devido aos desafios de vale-tudo. Depois esta movimentação restringiu-se ao Rio de Janeiro. São Paulo continuou com um trabalho isolado restrito a quatro academias: Octávio Albuquerque, Oswaldo Canivalle, Pedro Hemetério e Orlando Sandiva, nomes base do Jiu-Jitsu paulista.
A segunda geração dos Gracie já começava a se destacar como lutadores de ponta. Nesta ordem estavam Carlson e Robson, filhos de Carlos, que treinavam com Hélio. Alguns atletas também se destacavam como João Alberto, Hélio Vigio, além do próprio Hemetério.
 
 
A grande luta; Hélio Gracie X Waldemar Santana
 
No Rio, em 1955, Carlos Renato, um jornalista que trabalhava no Jornal Ultima Hora e fazia assessoria dos Gracie, foi responsável pelo desafio histórico entre Waldemar Santana e Hélio Gracie. Waldemar, que era roupeiro e “sparring” da academia Gracie, foi visto pelo jornalista como o elemento capaz de derrotar Hélio e abalar seu prestígio no meio do Jiu-Jitsu. Passou então a fomentar a discórdia entre eles. Waldemar queria mostrar seu talento, porem não deixavam que ele lutasse. Waldemar acabou expulso da Academia Gracie por aceitar uma luta contra Biriba (lutador que fazia lutas de “marmelada”) e que poderia comprometer o nome da família. Waldemar, então, passou a treinar na Academia Haroldo Britto, em Ipanema. Carlos Renato insistia em alimentar a rixa e a luta entre Hélio e Waldemar foi inevitável. Esta luta foi realizada na ACM, na Lapa. Ambos entraram no ringue de quimono, mesmo sendo uma luta de vale-tudo. O combate durou três horas e quarenta e cinco minutos, sendo inclusive um recorde mundial numa luta de vale-tudo. Terminou com a vitória de Waldemar. A luta foi definida com Waldemar levantando Hélio acima da cabeça, arremessando-lhe ao chão e dando um chute no rosto.
A derrota de Hélio, fez com que os Gracie preparassem Carlson, o melhor aluno de Hélio, para a revanche. A primeira luta entre ambos, porém, foi um combate de Jiu-Jitsu esportivo, terminando empatado. E, 1956 aconteceu a luta que foi considerada revanche. Agora sendo um vale-tudo, Carlson venceu Waldemar vingando o nome da família, ganhando com isso respeito a nível nacional . Aconteceram, ainda, duas lutas entre os dois, terminando empatadas. Mais tarde, Valdo Santana (irmão de Waldemar Santana) também lutou contra Robson Gracie, terminando também empatada. Depois de algum tempo as duas famílias fizeram as pazes.
 
 
A mídia e o Jiu-Jitsu
 
O programa de TV “Heróis dos Ringues”, foi transmitido durante dois anos pela TV Continental. Era um programa de lutas tipo vale-tudo, no qual participavam lutadores de Jiu-Jitsu que enfrentavam lutadores de outras lutas. O programa ia ao ar todas as segundas-feiras e era coordenado por Carlos Gracie. Dentre os lutadores de maior destaque estavam João Alberto Barreto, Hélio Vigio e Carlson Gracie, todos alunos do Mestre Hélio Gracie. Lutas memoráveis aconteceram nesse programa, como as de Carlson que acabavam em tempo ínfimo, como por exemplo contra Karadagian, que terminou em menos de 30 segundos. João Alberto teve, também, várias lutas memoráveis, como a que ele, João, pegou o braço de um adversário deixando-o com fratura exposta. Em uma luta, o adversário de João Alberto banhou o corpo todo de óleo, dificultando assim, a sua pegada, já que quando João o agarrava, este escorregava e fugia da luta, prolongando sua duração. Na primeira vez que João conseguiu se juntar ao adversário e travá-lo, no segundo round, o adversário juntou-se na corda para fugir e levou uma joelhada no queixo, caindo desmaiado.
Porém, nem só de vitórias vivia o Jiu-Jitsu neste programa. Hélio Vigio foi nocauteado por um boxeador, algo parecido como o que aconteceu com Amaury Bitteti (um dos grandes lutadores de Jiu-Jitsu da atualidade) recentemente num vale-tudo realizado em 1995 no Rio de Janeiro, vencido pelo mestre Hulk (capoeirista). Outros destaques do programa, alem dos três já citados, eram Mauro “Pé de Pato”, Juarez, Robson Gracie, Oswaldo Gomes da Rosa, o “Paquetá”, dentre outros.
A predominância do vale-tudo se devia ao fato de não existir uma federação independente (o Jiu-Jitsu era federado à federação de pugilismo). Os campeonatos não existiam, só torneios entre academias.
 
 
A Federação
 
No dia 25 de abril de 1967, foi fundada a Federação de Jiu-Jitsu do Brasil. Foi feita a partir de cinco clubes fundadores e foi articulada por Hélio Gracie, Álvaro Barreto, João Alberto Barreto e Hélcio Leal Binda.
A Federação da Guanabara era presidida por Hélio Gracie e tinha bases esportivas, regulamentos, etc. A fundação da Federação, foi o primeiro passo para tornar o Jiu-Jitsu um esporte e não uma arte de briga.
Foram regulamentadas as ordens das faixas de graduação: branca, azul, roxa, marrom e preta. As faixas amarela, laranja e verde, só eram concedidas para crianças.Se o praticante fosse maior de 16 anos, iria direto da branca para a azul. Além disso foram regulamentadas as regras para eventuais campeonatos que fossem ocorrer organizados por ela.
Com a fundação da Federação, o esporte começou a ter uma melhor organização. O Jiu-Jitsu, na época, era fechado a poucos. Não havia muitos praticantes.
 
 
Os primeiros campeonatos federados
 
Em 1968, a Federação passou a organizar o campeonato estadual. A Academia Gracie, da Rio Branco, com a saída dos principais instrutores, acabou fechando. Hélio, porém, passou a dar aulas no Humaitá. As principais academias do fim da década de 60 e início dos anos 70, eram: Academia Gracie, na figura do mestre Hélio Gracie; Academia Fada, no Subúrbio; Academia João Alberto; Academia Hélio Vigio, em Copacabana; Academia Álvaro Barreto; Academia Carlson Gracie e Academia Almir Ribeiro. Seguidas de outras menores. Um número pequeno, se comparado as mais de cem federadas, fora outras tantas “clandestinas”, que existem atualmente. Isso só no Rio de Janeiro, sem contar o resto do Brasil, que na época tinha, apenas, torneios isolados. O grande destaque dos torneios isolados, foi Carley Gracie, décimo primeiro filho de Carlos Gracie. Carley começou cedo, ensinado por seu irmão mais velho, Carlson. Já aos 20 anos era considerado como o melhor da família, vencendo todas as competições que participou, sendo campeão carioca de 1968 e 1972.
 
 
Anos 70
 
Carlson, agora técnico, teve como missão formar campeões, tanto que outro destaque dessa época era outro aluno seu, Fernando Guimarães, o Pinduka. Rolls Gracie foi o grande campeão depois de Carley. Rolls Gracie, foi um dos maiores lutadores de todos os tempos, irmão de Carlson. Rolls foi o primeiro a se preocupar com a preparação física associada ao Jiu-Jitsu, além de ser o primeiro faixa preta que lutava em pé, disputando torneios de judô, sendo campeão universitário.
Nesta época havia um grande preconceito e não se permitia que o lutador de Jiu-Jitsu praticasse judô ou qualquer outra luta. Rolls rompeu com isso, colocando seus alunos para treinar judô. Rolls dava aulas na mesma academia de Carlson.
O Jiu-Jitsu ainda não tinha uma grande exploração de marketing. Era uma luta de poucos, apesar do número de praticantes ter crescido e mesmo com a organização de campeonatos pela Federação.
Em 1977, Reyson Gracie, outro irmão de Carlson, vai para Manaus dar aulas da luta, dando base para a difusão do esporte na Amazônia. A Federação foi criada logo depois, sendo a segunda do Brasil.
Neste mesmo ano, a Federação da Guanabara (RJ), mudou seu nome para Federação de Jiu-Jitsu do Estado do Rio de Janeiro.
 
 
A Liga Niteroiense de Jiu-Jitsu
 
A Liga Niteroiense de Jiu-Jitsu, foi criada em 1977, por Walter de Souza, Celso Gomes, Adir de Oliveira, Antonio Rodrigues e Silvio Pereira. (LINJJI) O Jiu-Jitsu em Niterói teve uma única academia, a Fluminense, do professor Paulo Francisco Romito, aluno de Hélio Gracie. Foi fundada nos fins dos anos 50. Esta academia foi a base para o Jiu-Jitsu nesta cidade. A liga Niteroiense, filiada a Federação do Rio de Janeiro, passou a organizar seus campeonatos, dando maior opção aos lutadores, que na época tinham poucos campeonatos para disputarem. O trabalho da Liga foi tentar dar uma formação para o mestre, no sentido de crescer o nível dos professores. A Liga conta hoje em dia com mais de 1500 atletas inscritos, de 125 academias de Niterói, Rio, Grande Rio, Região dos Lagos e Serrana, Espírito Santo, Minas Gerais, São Paulo, Amazônia e Brasília. Além de organizar um círculo de cinco etapas onde os atletas vão acumulando pontos. Torna-se campeão, aquele que no final das cinco etapas tiver o maior número de pontos. Além do circuito, a LINJII foi a pioneira na introdução das categorias sênior, máster e pré mirim, tendo também uma competição só para mulheres, o chamado “Torneio das Rosas”.
No final dos anos 70, aconteceu no Clube Olímpico, um desafio entre o Jiu-Jitsu e o Karatê, no qual os filhos de Hélio Gracie; Rickson, Relson e Rorion venceram facilmente suas lutas.
 
 
Anos 80
 
Em 1980, Rickson Gracie lutou seu primeiro vale-tudo oficial contra Rei Zulu, um gigante nordestino. O evento aconteceu em Brasília. Rickson derrotou o adversário com um mata-leão (um tipo de estrangulamento). Rickson já era o melhor no Jiu-Jitsu desportivo e, começava a se afirmar como o melhor do vale-tudo.
O Jiu-Jitsu continuava sob as ordens de Hélio Gracie, ainda presidente da Federação. O Jiu-Jitsu já era conhecido, porém ainda longe da explosão que iria coloca-lo no topo das artes marciais.
A família Gracie, numerosa, (haja vista que Carlos Gracie teve 21 filhos), começava a ficar dividida. Cada um começava a seguir seu rumo, cada qual com sua própria academia. Hélio Gracie e seus filhos, continuaram na academia Gracie, localizada no Humaitá; Carlson, em Copacabana e Carlos Gracie Junior, coma Barra Gracie. Ale, de Rolls Gracie, que dava aulas na mesma academia que Carlson, após sua morte em 1982 devido a um acidente de asa delta, Carlson “herdou” seus alunos e sua sala foi incorporada à academia Carlson Gracie.
A divisão da família em várias academias, acabou por fomentar uma rivalidade entre irmãos e primos. A ânsia de vencer a qualquer custo começava a abalar a relação entre os Gracie.
 
 
Desafio vale-tudo Jiu-Jitsu X Kickboxe
 
Em 1984 aconteceu o confronto organizado pela revista Manchete, de lutas tipo vale tudo. Seriam cinco lutas nas quais em quatro, participariam representantes do Jiu-Jitsu. Os lutadores de Jiu-Jitsu foram: Renan Pitanguy, faixa preta da academia Carlson Gracie; Inácio Aragão, faixa marrom do Carlson; Fernando Guimarães (Pinduka), faixa preta do Carlson e Marcelo Behring, faixa preta e aluno de Rickson Gracie.
Os oponentes eram, respectivamente, Eugênio Tadeu (kickboxer), Bruce Lúcio (kung-fu), Marco Ruas (kickboxer) e Flávio Molina (Boxe tailandês). Além do desafio do Jiu-Jitsu contra as modalidades de kick Boxe, aconteceu a luta entre Rei Zulu (uma só derrota para Rick Gracie em 1980) contra Batarelli, campeão de full contact.
As lutas foram programadas para três rounds de cinco minutos cada. Os combates aconteceram no Maracanãzinho, Rio de Janeiro. A primeira luta foi a de Renan Pitanguy X Eugênio Tadeu. Por exigência de Hélio Gracie, os lutadores de Jiu-Jitsu deveriam lutar de kimono. Esse fato foi marcante para a derrota de Renan, pois seu adversário o agarrava no kimono e dava socos com a outra mão. Renan não conseguiu levar o oponente ao chão (aonde, pela sua técnica, levaria vantagem) e devido aos ferimentos, o seu técnico jogou a toalha desistindo do combate no terceiro assalto. A derrota do Jiu-Jitsu na primeira luta fez com que ficasse decidido que os próximos lutadores não lutariam de kimono.
Na segunda luta, Inácio Aragão (Jiu-Jitsu) derrotou facilmente Bruce Lúcio, finalizando a luta com um estrangulamento. Na terceira luta, Pinduka (Jiu-Jitsu) enfrentou Marcos Ruas, com a luta terminada empatada.
A quarta luta era a mais esperada da noite, pois Flávio Molina, um dos pioneiros do Boxe tailandês no Brasil e faixa preta terceiro dan de tae-kwon-do, disse aos jornais antes da luta, que estava pronto para acabar com reinado dos Gracie. Não conseguiu. Flávio resistiu dois minutos ao representante do Jiu-Jitsu, Marcelo Behring.
A última luta foi entre Rei Zulu e Rock Batarelli. Zulu venceu com um estrangulamento. A vitória de Zulu reacendeu a busca de uma revanche contra Rickson Gracie. A lurta aconteceu, finalmente, em 1985, no mesmo ginásio do Maracãnazinho. A luta foi programada para três assaltos de dez minutos cada. A luta foi vencida por Rickson, com um estrangulamento pelas costas. Foi uma das mais importantes vitórias de Rickson Gracie, pois foi essa vitória que deu o grande impulso na sua carreira.
A fama de Rickson começou a incomodar e às vezes acabava em brigas de rua. O principal personagem de duas famosas brigas envolvendo Rickson, foi Hugo Duarte, lutador de Luta-Livre. Na primeira briga entre os dois, Hugo conseguiu um empate, devido ao fato de ter puxado o rabo de cavalo que Rickson usava na época, quando estava em posição desfavorável. Porem a revanche aconteceu na praia da Barra, com a vitória de Rickson.
Este foi o começo de uma rivalidade que, no entanto, durou pouco tempo. Hoje já está amenizada.
Os campeonatos estavam recebendo mais inscrições nos tradicionais torneios, como por exemplo, o Campeonato Estadual e os da Liga Niteroiense. Esse fato levou a criação de alguns campeonatos independentes, com destaque para o Atlântico Sul, idealizado por José Carlos Moreira, em 1987, sempre sendo realizado na Barra da Tijuca. Atualmente já está na nona edição, sendo considerado um campeonato muito importante.
 
 
O grande desafio
 
Em 1991, devido a um desentendimento entre lutadores de Jiu-Jitsu e de Luta-Livre, durante uma competição de Jiu-Jitsu, foi marcado um vale tudo para tirar as diferenças e ver, realmente, que luta era a mais eficiente. Foi marcado para o final de outubro, onde iriam lutar quatro lutadores de cada modalidade, em lutas de dois assaltos de quinze minutos. Era o vale tudo dos vale tudos, que a pós a luta de Rickson Gracie contra o Rei Zulu, tinha feito com que a Mídia voltasse a ser invadida pelo Jiu-Jitsu. Agora, porém, era a Rede Globo que iria transmitir ao vivo, os combates, dando um grande status ao evento ocorrido no ginásio de Grajaú Country Club.
A primeira luta foi entre Wallid Ismail (faixa marrom do Jiu-Jitsu) contra Eugênio Tadeu, o mesmo que tinha derrotado Renan Pitanguy em 1984. No primeiro assalto a luta foi equilibrada, porém no segundo, Eugênio não resistiu a série de cabeçadas aplicadas por Wallid e acabou desistindo.
A segunda luta foi entre Murilo Bustamante (faixa preta de Jiu-Jitsu) contra Marcelo Mendes. Murilo venceu facilmente pois o adversário só queria fugir se jogando duas vezes para fora do ringue, sendo desclassificado. A terceira luta seria entre Hugo Duarte (Luta-Livre) e Marcelo Behring, porém, Marcelo se machucou e não pode lutar.
A luta final foi entre Fábio Gurgel (faixa preta de Jiu-Jitsu) e Denílson. A diferença de tamanho entre os dois era muito grande. Denílson era muito maior e mais forte. Isso, no entanto, não foi problema para o lutador de Jiu-Jitsu que, com uma técnica mais apurada, acabou vencendo o combate por desistência do adversário.
O resultado desse vale tudo, deu um impulso grandioso ao Jiu-Jitsu. Murilo Bustamante, que tinha apenas quatro alunos, passou a ter dezenas. Fábio Gurgel, que dava aulas no Clube Federal, passou a dividir com seu Mestre Jacaré, a academia Máster, em Ipanema. Além de vários outros professores que viram seu movimento de alunos triplicar, após essa importante vitória do Jiu-Jitsu.
 
 
O Jiu-Jitsu nos Estados Unidos da América
 
Em 1989, Rickson Gracie e Royce Gracie se mudaram para os EUA, onde seu irmão Rorion já estava radicado. No começo dos anos 80, Rorion Gracie, filho mais velho de Hélio, trocou o Brasil pelos EUA. Começou trabalhando em várias atividades até conseguir fazer pontas em alguns seriados da TV americana. Acabou ensinando ao ator Mel Gibson os movimentos de luta para o filme Máquina Mortífera. A partir daí ganhou a Mídia.
Rickson e Rorion começaram a fazer várias apresentações e seminários sobre a luta, tratando de divulgá-la. Porém, o primeiro a divulgar realmente o Jiu-Jitsu nos EUA, foi Alberto Barreto, que em 1963 tinha dado vários seminários em universidades, chegando a fazer demonstrações no FBI e em outras instituições. Mais tarde, nos anos 70, foi à vez de Carley Gracie divulgar o Jiu-Jitsu nos EUA.
Sem adversários no Brasil, Carley foi para os EUA em novembro de 1972. Lá, foi convidado pelo Governo Americano para treinar seus Mariners para a Guerra do Vietnã, chegando a treinar mais de 100 soldados por hora. Com o fim da guerra, passou a fazer alguns vale tudo. Atualmente, possui uma academia de Jiu-Jitsu na Califórnia.
Rorion Gracie também disputou vale tudo, o que ajudou a divulgar o nome do Jiu-Jitsu. Sua luta mais importante foi a que derrotou o então campeão mundial de kickboxe. Além de Rorion, Rickson já tinha uma grande fama nos EUA, chegando a treinar os Mariners e a SWAT (policia especial norte-americana).
O que colocou os Gracie, definitivamente, no cenário das artes marciais dos EUA, foi o seminário de Jiu-Jitsu apresentado num grande hotel de Los Angeles, contando com a presença do famoso ator e karateca, Chuck Norris e seus alunos.
Vários brasileiros começaram a deixar o Brasil para dar aulas de Jiu-Jitsu nos EUA. Em 1991, Joe Moreira partiu para Los Angeles e depois de um começo difícil, conseguiu montar sua academia.
Rigan Machado, foi o primeiro dos cinco irmãos Machado a desembarcar nos EUA. Começou trabalhando com Royce, Rickson e Rorion. Mas depois abriu sua própria academia junto com seus irmãos, em Tarzana, Califórnia. Atualmente, eles têm quatro academias. Uma em Dallas, duas em Los Angeles e uma em Nova York.
O ano de 1993, foi o mais importante para a divulgação do Jiu-Jitsu brasileiro, pois foi realizado o primeiro ‘ULTIMATE FIGHTING CHAMPIONSHUP (UFC). O “UFC” é um torneio de vale tudo no qual os lutadores passam por um processo eliminatório simples: quem perde está fora, não existindo empates. Nesta competição, entram os maiores nomes mundiais de várias artes marciais. Não há categoria de peso ou divisões por qualquer outro aspecto. Até o quinto evento da série, não havia tempo estipulado ou seja, a luta só acabava com a desistência de um lutador ou por nocaute. Idealizado Por Rorion Gracie, teve a participação de Royce Gracie nas cinco primeiras edições representando o Jiu-Jitsu. Royce venceu as duas primeiras e a quarta edição, vencendo um total de dez lutas. As principais foram: sobre Ken Shamrock, na semifinal do UFC I : sobre Pat Smith (kick boxer), no final da U F C II; e finalmente sua maior vitória no “OCTAGON” (nome dado ao ringue de luta do UFC ), obtida sobre o campeão de ” wrestling” (Luta-Livre), 117 quilos contra 80 quilos de Royce. A luta foi finalizada por Royce, com um triângulo , golpe típico de Jiu-Jitsu, após quinze minutos e quarenta e nove segundos de combate
Na edição número III do UFC, Royce teve problemas de saúde e após uma vitória sobre Kimo, acabou desistindo de continuar. Na edição de número V, lutou somente a super luta contra Ken Shamrock, terminando empatada após trinta e seis minutos de luta.
Após essa edição, foram mudadas as regras. O tempo foi estipulado em no máximo quinze minutos por luta. Com isso, Royce se viu prejudicado e desistiu de competir, dizendo que por ser menor do que os adversários, precisaria de mais tempo para derrotá-los. Porém, problemas de bastidores culminaram na venda dos direitos do UFC de Rorion para um grupo de empresários. A participação dos Gracie terminaria no UFC, porém, o Jiu-Jitsu brasileiro ainda lutaria com Joe Moreira, Amaury Bitteti e Fábio Gurgel (todos esses derrotados na primeira luta) e com Rafael Carino vencendo uma luta no UFC 10.
 
 
Graduação oficial dos faixas-preta
 
Após uma intervenção na Federação, na qual o C N D designou para interventor o professor Álvaro Barreto, foram convocadas eleições e foi eleito presidente Robson Gracie.
A Federação do estado do Rio de Janeiro graduou oficialmente os faixas preta de acordo com graus. Foram graduados nessa ordem, os seguintes lutadores:
 
Pioneiros do Jiu-Jitsu – Grandes Mestres Faixa Vermelha Décimo Grau:
 
1 – Grande Mestre Carlos Gracie
2 – Grande Mestre Oswaldo Gracie (in memorium)
3 – Grande Mestre Gastão Gracie
4 – Grande Mestre George Gracie
5 – Grande Mestre Hélio Gracie
 
Decanos do Jiu-Jitsu – Grandes Mestres Faixa Vermelha nono Grau:
 
1 – Armando Vriedt
2 – Robson Gracie
3 – Carlson Gracie
4 – Helio Vigio Gomes
5 – João Alberto Barreto
6 – Oswaldo Batista Fada
7 – Pedro Hemetério Araújo de Castro
 
Mestres faixa vermelha oitavo grau:
 
1 – Alvaro Cláudio de Mello Barreto
2 – Amélio Câmara
3 – Francisco José Mansur
4 – Julio Frederico Secco
5 – Moacir Lucia Vale
6 – Narum Luiz Rabay
7 – Monir Salomão
8 – Orlando Santiago Barradas
9 – Paulo Francisco Romito
10 – Reyson Gracie
11 – Walter Jorge Guimarães
 
Foram graduados ainda: Mestre faixa vermelha e preta sétimo grau; professores faixa preta sexto grau; professores faixa preta quinto grau; professores faixa preta quarto grau. Professores faixa preta terceiro grau; professores faixa preta segundo grau; professores faixa preta primeiro grau; professores faixa preta estagiário; faixa preta lutador quarto, terceiro, segundo e primeiro grau e faixa preta sem grau.
Essa graduação foi importante para homenagear os mestres e para regulamentar os profissionais que estão dando aulas de Jiu-Jitsu.
 
 
O Jiu-Jitsu paulista
 
O Jiu-Jitsu paulista começa a se fortalecer com a chegada do professor Flávio Behring e de seu filho Marcelo Behring. Melhorando a estrutura e os campeonatos, o Jiu-Jitsu paulista tornou-se um dos melhores do Brasil. Em 1994, foi criada a Federação Paulista de Jiu-Jitsu, dando mais força para o desenvolvimento do esporte. Outro grande divulgador foi Fábio Gurgel, que também passou a lecionar em São Paulo. Contando com essas “feras”, a Federação organizou o primeiro circuito paulista de Jiu-Jitsu, sendo vencido pela Academia Lótus Club.
Vários vales tudo foram disputados em São Paulo, contando com a participação de lutadores locais, com destaque para Jorge Patino, o “Macaco”, que venceu alguns desses desafios. Essas vitórias ajudaram ainda mais no crescimento do Jiu-Jitsu em São Paulo.
 
 
O Jiu-Jitsu atual (1993-1996)
 
O Jiu-Jitsu virou febre nacional e vários desafios e vale tudo ocorreram nos últimos três anos. Campeonatos Brasileiros de Equipes 94/95, Brasileiro 94/95, Pan Americano 95 e o Mundial 96, colocaram o Jiu-Jitsu brasileiro no patamar que ele está hoje, como a principal arte marcial praticada no Brasil.
Várias revistas sobre o esporte são publicadas (quatro no Rio de Janeiro, exclusivamente sobre o Jiu-Jitsu: Gracie Magazine, o Tatame, o Lutador e Vale Tudo), caracterizando, portanto, um aspecto curioso, pois nem o futebol tem tantas revistas assim.
O Jiu-Jitsu é atualmente um negócio lucrativo, com transmissões de campeonatos esportivos e de vale tudo por TVs a cabo e convencionais.
Dentre os principais campeonatos realizados nestes últimos anos, o Mundial de 1996, foi realmente o que colocou o Jiu-Jitsu com a força de um esporte mundial. O trabalho de confederação, com palestras e debates em vários países do mundo, colocaram-no, antes somente nacional, com um caráter internacional, visando à inclusão do Jiu-Jitsu como esporte olímpico.
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Conclusão
 
 
Os pesquisadores concluem que com este trabalho a história do Jiu-Jitsu está sendo revista e armazenada num só documento, facilitando a compreensão dos fatos que levaram o Jiu-Jitsu a ter uma fama equivocada de esporte ligado à violência. Através da análise da história como um todo, levando-se em consideração o seu processo de expansão e a sua imagem, muitas vezes distorcida pela mídia, podemos compreender que o mal conceito atribuído a esse esporte, nem sempre é verdadeiro.
 
O fato de o Jiu-Jitsu ser confundido com o vale tudo, contribui para esse aspecto de violento que não é real. O vale tudo foi o modo dos praticantes do Jiu-Jitsu nos anos 30 mostrarem a superioridade da sua luta em relação às outras. Atualmente são modalidades esportivas distintas, sendo utilizado no vale-tudo esportivo de Jiu-Jitsu , que, complementadas com outras técnicas, como a do boxe e várias técnicas de chutes e de outras modalidades, fazem com que o atleta de vale-tudo seja mais eficiente para o desempenho de seu esporte. A participação com de lutadores de Jiu-Jitsu em eventos de vale-tudo, contribuiu muito para o crescimento do esporte em si.
 
A filosofia do Jiu-Jitsu como luta, parte do princípio que o mais fraco poderá derrotar o mais forte, com o uso da técnica; esta filosofia atualmente está esquecida, sendo usada, muitas vezes, a força, em detrimento à técnica apurada.
 
A contribuição que este estudo histórico esta dando, consiste no sentido do resgate das origens, na essência da arte suave, da qual surgiu o Jiu-Jitsu e foi aprimorado no Brasil pelos Gracie.
 
A filosofia do Jiu-Jitsu tem que ser resgatada, para o fortalecimento da luta como esporte, tanto no Brasil como no mundo.

Academia Fernando Pinduka

Academia de Jiu-Jitsu, Defesa Pessoa, Boxe. Aerobics - Cinésiterapia, Tratamento Funcional, Tratamento de Lesões Musculares, Reabilitação e Prevenção. Treinamento Funcional. Personal Trainer.

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