Entrevistas
Sen. Arthur Virgílio

 
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A história do Jiu-Jitsu no Amazonas
Visitei o Amazonas pela primeira vez em meados de 1976, a convite de Arthur Virgílio Neto, que lá se encontrava em período de férias. Neste lugar permaneci, aproximadamente, por vinte dias. Nessa época não havia, no Amazonas, nenhuma academia de jiu-jitsu e a própria palavra “jiu-jitsu” era totalmente desconhecida pelo grande público amazonense.

Os convites que eram feitos partiam, quase todos, das academias de judô e as que mais de destacavam eram a de Armando Jimenes e a de Tetsuo Fujisaka, então campeão brasileiro.
Havia também o conhecido peso-pesado Nilsão, penta-campeão brasileiro universitário de judô, que ensaiava um certo jiu-jitsu, com base na força de explosão, que só tinha eficácia a curto prazo. Este fato foi comprovado, mais tarde, quando ele foi derrotado pelo meu aluno, Fernando Fonseca, na luta final do campeonato amazonense de jiu-jitsu, já em 1977.

O ilustre professor Armando Jimenes, apesar de ter treinado jiu-jitsu na academia Gracie nos anos 50, viu no judô um atalho mais viável para poder desenvolver um trabalho sério. Mas a razão pela qual lhe devemos maior gratidão se deve, mais ainda, ao fato de nos ter cedido a sua própria academia, durante um determinado prazo, para que a mesma fosse anunciada como “academia de jiu-jitsu”. O apoio de seus filhos, também professores, Armandinho e André, ajudou bastante.

O Dr. Adrião Severiano Nunes Netto, além de grande amigo, revelou-se um grande PUBLIC RELATIONS ao agilizar a fundação da Federação de J.J do Amazonas. A presidência ficou a cargo do mega-empresário, Roberto Caminha Filho, de altíssima competência.

A equipe de competidores da academia era composta, em sua maioria, por nadadores do Atlético Rio-Negro. Além de disciplinados, não fumavam e nem bebiam. O Luiz Façanha, em pouco tempo, tornou-se o carro-chefe. O número 1 da academia.

É bom saber que o jiu-jitsu amazonense só teve chance de decolar a partir do momento em que teve a sua primeira academia e uma Federação em funcionamento. Senão continuaria, até agora, restrito a uma meia dúzia de privilegiados que podem se dar ao luxo de fazer turismo no Rio em época de férias.

Ao deixar Manaus, após um ano, o Luiz Façanha assumiu de vez a liderança, projetando nomes, que mais tarde, fariam parceria com professores no Rio. Dentre os principais podemos citar os irmãos Monteiro, Humberto Barbosa Jr., Nonato Machado, Cássio Façanha, Luiz Falabela (luta livre) e muitos outros.

O mérito do Luiz Falabela é indiscutível e penso até que, estrategicamente, ele foi mais importante do que eu. Não há o que duvidar. Atualmente, existem duas correntes que influenciam diretamente o jiu-jitsu.

- Altas Feras! - Por Reyson Gracie
Parabéns ao grande campeão mundial Wanderlei Silva pelo aperfeiçoamento técnico demonstrado em suas vitórias mais recentes. A faixa preta é mais do que merecida. Além do que, o presidente da C.B.J.J., Carlos Gracie Jr., soube avaliar corretamente o indiscutível mérito do atleta, agindo com absoluta e total isenção. Fico feliz. CELEBRIDADES!!!

Em todas as épocas há sempre um público mais discreto sem a menor preocupação em exibir a sua graduação para fins de vaidade e ostentação. O seu objetivo principal é os encontrar um caminho ideal que permita chegar a um melhor conhecimento de si próprio.

E, entre os diversos caminhos há o jiu-jitsu (arte de vencer cedendo; flexibilidade combativa; arte do virtuoso e tudo mais), cuja essência filosófica orienta e auxilia na construção da personalidade do indivíduo e na formação do caráter.

Em razão disso, a marca de todo um trabalho desenvolvido ao longo desses 90 anos de tradição, se acha indelevelmente refletida na vida social do país, onde personalidades de maior ou menor projeção fazem a diferença na história da nossa nação.

Para concluir segue abaixo alguns dos inúmeros nomes do passado e do presente que dispensam qualquer apresentação e que marcaram presença nas academias de jiu-jitsu.
Carlos Lacerda – ex-governador – R.J.
Mario Andreazza – ex-ministro dos Transportes
João Baptista Figueiredo – ex-presidente da República
Roberto Marinho – jornalista/empresário (Org.Globo)
Marcelo Itagiba – atual sub-secretário de Segurança
Carlos Niemeyer – cineasta / Canal 100’’ (faixa preta)

Momento atual: Faixa Marrom
Marcelo Mangeth – procurador da Fazenda Nacional / França, S.P.
Luiz Carlos Pinto – neurofisiologista de prestígio mundial ( também faixa preta de Tae Kwon Dô)
Maurício Mattar – ator, cantor e compositor de vanguarda da MPB. Faixa Preta
Paulo Roberto Jangutta – desembargador / VI Juizado Especial Cível – R.J.
Helso Ribeiro Filho – prof. de direito e filosofia das principais Faculdades do Amazonas/procurador do TCE.
Luiz Fux – desembargador/ministro do Supremo Tribunal de Justiça
Arthur Virgílio Neto – diplomata/ senador da República
Reyson Gracie – fundador do jiu-jitsu no Amazonas – Segundo pólo mundial desse esporte. por Reyson Gracie
- Entrevista com o Senador da República Arthur Virgílio Neto

O motivo pelo qual o senador foi escolhido, você terá a oportunidade de saber lendo as linhas abaixo, mas o que posso adiantar é que esse homem da vida política foi posto pelo próprio pai, que recrutava meninos mais velhos na rua, para lutar boxe. Mas de qualquer forma, ele já havia começado a praticar luta livre em Manaus.

Ele iniciou no judô com o professor Haroldo Brito (que é um bom conhecedor do jiu-jitsu) quando mudou-se com sua família para o Rio de Janeiro, quando ainda era sede da República. O senador passou também pelas mãos do Oswaldo Alves, de Reyson e Rolls Gracie, dos irmãos João Alberto e Álvaro Barreto e George Medhi.

"O Reyson é um dos homens mais corajosos que já ví em toda a vida. Quando fui aluno dele, passei a fazer jiu-jitsu sistematicamente e tenho também muitas lembranças da imagem do Carlson, que era considerado um verdadeiro herói na minha geração", declarou o senador. Ele declara ainda que adora visitar academias em todo o Brasil para treinar com pessoas novas.

Outro fator que o atraiu muito para este esporte, foi a saga dos mestres Carlos e do nosso querido Hélio. No início, o senador pensava em ser apenas um conhecedor da arte suave, porém acabou descobrindo uma de suas maiores paixões: o jiu-jitsu.
RG – O senhor tem algum ídolo no esporte?
AV - São vários ídolos. No Boxe, é o Ali, seguido de perto pelo "Sugar" Ray Robinson. No futebol, é o Zico; sou flamenguista roxo. No jiu-jitsu é o Rickson e sempre será o Rolls. No Vale-Tudo, atualmente, o Rodrigo Minotauro, que é forte como um pesado e técnico como um excelente leve ou médio. No basquete, é o Michael Jordan. E por aí vai.

RG – Como poderíamos comparar um político faixa preta de jiu-jitsu com um que não o seja?
AV - Tem muita gente na vida pública que fez - ou faz - outros esportes e que é, sem dúvida, valorosa. E tem gente que nem é do esporte e, apesar disso, mostra as qualidades morais e psicológicas muito comuns no nosso meio. São pessoas "faixa preta" em decência, coerência e bravura.
Agora que o jiu-jitsu me dá um up grade, nem se duvide disso. Uma das minhas características é não atacar por trás, não faltar à palavra empenhada, não chutar quem está desamparado no solo e nem todo mundo é assim.

RG – Fale um pouco sobre a sua relação com a luta.
AV - Meu amor pelo jiu-jitsu é inesgotável. Sou fanático mesmo.
Na juventude, lutava; na maturidade, vejo filmes, converso com os amigos, compareço a eventos, vou enfim, matando as saudades.

RG – Como o senhor é visto no governo por ser um lutador de jiu-jitsu?
AV - Aqui em Brasília, de vez em quando os jornalistas inserem essa questão da luta em entrevistas, sempre, aliás, que a entrevista é do tipo "perfil". Falam que sou - ou fui - lutador. Quando perguntam, digo que sim. Quando perguntam detalhes, desconverso.
O Governo sabe que nada me intimida. E que sou um adversário leal. Outro dia, o Senador Tasso Jereissatti me disse: "Vi um cara igual a você, no Jungle Fight, ao lado do Senador Antoni Inoki". Como ele é um grande amigo, confirmei que era eu mesmo e que estava ali a convite do Wallid Ismail que é meu "irmão" mais novo.
Se tivesse sido outra pessoa, eu até teria negado. Ou seja, nunca me prevaleci do jiu-jitsu para nada. Ele está dentro de mim e faz parte das minhas ações e ponto final.

RG – De que forma o jiu-jitsu influencia a qualidade de vida e a sua profissão?
AV – Em relação ao trabalho, o jiu-jitsu faz com que eu vá para a luta eleitoral, no Plenário, com garra, com disposição máxima. Cuido da questão pública com dedicação integral. O esporte faz com que eu seja uma pessoa competitiva, determinada, capaz de enfrentar e vencer as adversidades. Os dias são duros. Muita gente começa bem e vai cansando com as horas. Eu, não; nós do jiu-jitsu, certamente não.
No capítulo qualidade de vida, o esporte é fundamental: dá resistência, eleva a taxa de amor próprio, descansa a cabeça e sedimenta as amizades mais verdadeiras e desinteressadas.

RG – O estado do Amazonas é um dos maiores celeiros de lutadores atualmente do jiu-jitsu. Será que isso se deve em relação ao incentivo do Governo?
AV - Modéstia à parte, começou comigo, há mais de 30 anos. Logo a seguir, levei o Reyson para lá e ele consolidou o sentimento dos jovens pelo jiu-jitsu. Hoje, o grande ídolo é o Oswaldo Alves, que exerce forte liderança sobre a juventude.
A Prefeitura de Manaus e o Governo estadual ajudam, mas poderiam fazer mais e de forma mais organizada e sistêmica. Com tudo isso, o fato é que o Amazonas é, depois do Rio de Janeiro, a 2ª potência mundial em jiu-jitsu.
Cometeria uma injustiça se esquecesse, no Amazonas, o Aly Almeida e o atual Juiz de Direito Luis Carlos Valois, o "Caco", como precursores também de tudo que o jiu-jitsu é hoje na minha terra.
RG – A arte marcial tem como objetivo doutrinar e socializar o indivíduo. O senhor acredita que o jiu-jitsu, uma arte genuinamente brasileira, possa ser integrado na educação das escolas públicas?

AV - A meninada só teria a ganhar. Poucas coisas podem influenciar tão positivamente a juventude quanto o esporte, em geral, e o jiu-jitsu, em particular.
RG – E em relação às forças policiais?
AV - Também. Um policial com conhecimento de jiu-jitsu haverá de ser ainda mais bravo na ação e muito comedido, após a ação. Ou seja, não consigo ver um faixa preta de verdade torturando alguém. Assim como acho que ele seria controlado e decidido, ao mesmo tempo, portando uma arma.
Uma vez, fui com o Carlson à Academia que ele manteve, na Tijuca, por algum tempo, com o falecido Walter Guimarães. Estava fora de forma, fui para ajudá-lo a dar aulas e treinar com os "cascas grossas" do local.
Fui de faixa branca, como gostava de fazer quando não estava em forma. No treino, um policial forte, de temperamento atrevido, começou a implicar com meu cabelo, que era comprido, e com tudo em mim.
A raiva dele era tanta, que nem percebeu que eu tinha puxado o aquecimento, por ordem do Carlson.
Pois bem! Na hora do treino livre, o Carlson, muito malicioso, perguntou quem ele escolhia para treinar. Não deu outra: o cara escolheu o "cabeludo" da Zona Sul, que ele via como um playboy talvez incapaz da destreza física.
E lá fomos nós. Em 5 minutos, eu o fiz bater em pé, na parede, no chão, de todo jeito. E vi ele interpelar o Carlson: "pô, Carlson, que porra de faixa branca é esse?" E o mestre respondeu com sabedoria: "quem te disse que ele é faixa branca? O simples fato de você usar a faixa preta não te faria um verdadeiro faixa preta. Falta muito para você. E como você o chateou muito, a resposta veio na hora em que ele teve condições de dá-la".
Imaginem vocês o que esse rapaz não faria comigo se eu fosse um preso dele, desarmado, desamparado. Ele ia me humilhar de todo jeito. E eu lhe dei uma lição sem humilhá-lo. Ouvi os insultos dele calado e, depois do combate, continuei no meu canto.
Logo, o jiu-jitsu faria bem, igualmente aos responsáveis pela ordem pública, sim senhor.

"O jiu-jitsu dá sentido de honra as pessoas. Levanta o amor próprio. Ensina lições de generosidade".

"Tenho um sonho que é competir no Senior, de kimono, e fazer um pouco de Submission também, enfrentando gente alguns anos mais nova".

"Quando sou vítima de uma traição, lá vem outra vez o condicionamento do jiu-jitsu a me fazer dar a volta por cima e recomeçar o combate".

"Acho que dentro de 10 anos, as bolsas do Vale-Tudo valerão mais que as do Boxe Internacional. E estou seguro de que o Brasil, grande "produtor" de samurais, haverá de valorizar, cada vez mais a chamada Mixed Martial Art".

por Reyson Gracie