FP: Reyson, existe alguma briga interna da família Gracie como a mídia procura insinuar?
RG: A coisa se espalhou muito, entendeu, então novos espaços foram criados e isso é uma coisa natural. É como uma família grande que cresce muito. E aí há necessidade de novos espaços. E isso de certa forma foi benéfico para o Jiu-jitsu. Houve uma grande necessidade que o Jiu-jitsu não ficasse restrito só ao Brasil. Hoje estamos vendo o Jiu-jitsu se expandindo pelo mundo inteiro. Como é o caso da população chinesa também que cresceu demais e está se expandindo. (Soube até que estão "invadindo" o país, vide a colônia chinesa em São Paulo e outros estados por aí...).
Isso é consequência do progresso. Agora, as discussões ocasionais entre professores e até mesmo dentro de famílias, é um mal necessário. É sinal que existe um clima de democracia. Que existem opiniões diferentes e divergentes. Já pensou se todo mundo pensasse de modo igual? Como disse o dramaturgo Nélson Rodrigues: "toda unanimidade é burra".
É necessário que haja a tese e antítese para se chegar a síntese. Se uma pessoa só fala e ninguém contesta, começam a surgir os "donos da verdade". O Prof. Hélio Gracie, por ex., fez um grande trabalho, mas surgiram novos talentos e gênios como Rolls Gracie, Rilion Gracie, Royler Gracie, Jean Jacques Machado, Renzo Gracie e tantos outros. Assim muita coisa que o Prof. Hélio fez no passado está sendo aproveitado nos dias de hoje, inclusive sendo aperfeiçoada.
Eu acho que tudo tem o seu tempo. Nada é eterno. É como a própia vida: uma coisa transitória.
Tudo isso que está acontecendo é bom para o Jiu-jitsu e as novas gerações vão nos surpreender muito. Quem poderia imaginar um dia que o Jiu-jitsu brasileiro fosse ter esse impulso extraordinário e impressionante que está tendo, com essa velocidade incrível. Eu acho que é por aí.
FP: Qual a utilidade da globalização, através da internet, para o Jiu-Jitsu?
RG: Acredito que seja bom não só para o Jiu-jitsu, como para qualquer outro esporte pelas facilidade e velocidade na troca de informações.
Creio também que a liberdade deve ser acompanhada da responsabilidade em tudo o que se declara.