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Apresentador do Passando a Guarda
FP: Porque o apelido Joinha?
JG: O apelido veio quando eu era novo e tinha uma namorada e sem querer escutei a mãe dela dizer: "... mas é um menino tão joinha.", e dali por diante ficou Joinha.
FP: Você hoje é um homem da mídia, era isso que sempre quis?
JG: Eu nunca tive essa pretensão de ser homem da mídia. Eu estava desesperado na vida e atrás de uma realização profissional. Estava super insatisfeito, sem recurso e surgiu essa oportunidade e eu agarrei com unhas e dentes. O que me facilitou bastante foi esse tempo que eu passei nos Estados Unidos. Foi uma faculdade da vida. Comecei a dominar o inglês, fiz vários contatos inclusive quando tive que alugar uma equipe para seguir e cobrir o evento no Ultimate. As coisas acabaram acontecendo por esforço e uma parcela mínima de talento que não era muito, um pouco de carisma. Agora eu era muito "cru", comecei totalmente atrapalhado. Eu tinha pavor de me assistir. Quando eu editei o primeiro programa e me vi entrevistando, falei: "Nossa isso está uma m..., meu Deus do céu! Como vai ser?! Vai ser horror!", mas acabou saindo bem, foi um sucesso absoluto! Meu primeiro programa foi o maior sucesso e a partir dali foi só alegria.
FP: Que outros esportes gosta de praticar?
JG: Eu jogo tênis. Eu sempre me meti em tudo quanto era tipo de esporte. Eu nunca fiz nada muito bem, mas fiz de tudo um pouco. Eu sempre fui surfista, mesmo jogando tênis. Jogava um pouco de futebol também e agora faço jiu-jitsu, box e continuo pegando onda. Dou uns treininhos por causa dessa minha ligação com as artes marciais. Com o pessoal da Chute Box eu ainda pratico Moaitai e é isso. Ainda jogo um pouquinho de golf também (risos), mal e porcamente.
FP: Conta para gente como foi esse efeito PRIDE?
JG: Sobre o efeito PRIDE eu posso dizer que acompanhei todo desenrolar dessa estória. Tudo começou com a criação do Ultimate pelo Rorion Gracie e o Royce, um garoto franzino, que desafiava aqueles "monstros" com aquela genética americana e os derrotava. Com isso o Jiu-Jitsu acabou explodindo na América e no Mundo. Com o Ultimate surgiram também às críticas principalmente nos Estados Unidos. Eles associavam o Vale Tudo à violência gratuita inclusive chegavam a chamá-lo de: "Human Cock Fight" , ou seja, briga de galo humano. Teve sua proibição em vários estados. O PRIDE foi pegando porque eles fizeram alguns eventos como: o Japan Open Fight e eventos de PAN-CRAZY que tinha um pano de proteção tipo caneleira era quase uma armadura. Era um evento interessante não chegava a ser um Vale Tudo e o PRIDE eu vi engatinhando eles inclusive fizeram uma coisa muito interessante que na época ninguém entendia porque colocavam, por exemplo, astros do Tele Catch, porque o Tele-Catch era grande, era enorme no Japão e havia uma legião de espectadores. Todo mundo gostava muito eles achavam uma graça violenta. É da cultura Japonesa. Inclusive eu já tive a infelicidade de dizer quando fui convidado para assistir um evento de Tele-Catch, eu então falei: "- ah! eu não quero, I don´t wanna go, It is fake." Fake é como se fosse uma marmelada. Daí o cara falou: "Hey!" O cara frisou: "It is not fake, it´s drama" Falou que não era, não era marmelada era um drama aquilo, era um teatro. Eu acabei me saindo bem dizendo "I have enought drama in my life" Já tenho drama suficiente na minha vida, acabei não indo mas aí comecei a entender o porque eles levaram o Takada, levaram o Yamamoto, levaram vários artistas, vamos colocar assim, do Tele-Catch para o PRIDE. Daí alguns seguidores do Tele-Catch começaram a freqüentar os eventos do PRIDE, e tomar gosto, porque aquilo deixava de ser um "drama" para ser um "reality show" e realmente virou uma febre e hoje você vê o Tóquio Domo com 68 mil pessoas, e hoje é um evento que já é vendido para o mundo inteiro e bateu todos os recordes em pay-per-view no Japão, quer dizer, o detentor desse recorde era um evento de Basebol e agora passou a ser o PRIDE.
FP: Você tem idéia de quantos telespectadores estão assistindo ao PRIDE no momento da luta?
JG: O evento virou uma febre no Japão, por baixo eu diria uns 50 milhões. É assustador. E você vê o povo, a festa, a educação do povo e você quanto eles vibram. Se tornou uma coisa cultural pode-se dizer que o Japão usou isso muito bem para resgatar a imagem do Samurai, a imagem do Japão como berço das artes marciais.
FP: Como você vê o Brasil neste contexto?
JG: O efeito PRIDE vem revertendo divisas para o Brasil e ainda destacando grandes lutadores brasileiros. O brasileiro hoje é bastante respeitado inclusive no Hawaii. Todo mundo associa o Jiu-Jitsu ao Brasil. O Jiu-Jitsu se tornou a arte marcial, vamos dizer, não só famosa mas de maior eficiência dentre todas as outras, daí associam o Jiu-Jitsu ao Brasil e aos brasileiros.
Há um tempão atrás eu estava no Hawaii, onde já visito há muitos anos, os brasileiros hoje são mais respeitados do que antes, hoje eles falam: "O cara é brasileiro, cuidado o cara pode te dar um nó aí malandro, não tira onda com ele dentro d'água". Por instinto o brasileiro tem aquele negócio de desrespeitar as regras locais, crescia o olho nas ondas e cortava os surfistas locais com modos horríveis, do brasileiro garotão, do adolescente ele vai com muita gana e isso daí para aqui no Brasil a gente experimenta isso, não respeitam a hierarquia e chegavam lá faziam o que queriam. Pegavam as ondas dos outros e tudo mais e aconteciam vários espancamentos dentro e fora d'água e hoje mudou um pouco. Hoje o cara para tirar uma onda lá com brasileiro ele pensa duas vezes. Agora que a mídia brasileira ta acordando para isso. Com a ida da Glória Maria para o Japão documentar o PRIDE GRAND PRIX eu acho que alavancou bastante o esporte, porque hoje o Wanderlei Silva, o Minotauro são ídolos eles fazem comerciais lá fora. Hoje uma camisa da Chute Box é o item mais desejado no meio de todos os praticante de artes marciais. Eu acho que isso tudo reflete no nosso país. Eu acho muito bonito, acho emocionante quando um dos nossos campões sobe no ringue exibindo a nossa bandeira as cores: verde, amarelo, azul e branco, eu acho realmente uma conquista. Agora ainda falta um pouco a mídia e aos publicitários a superarem esse pensamento arcaico, obtuso, obsoleto de associar o Vale Tudo à violência gratuita é um esporte como qualquer outro, tem regras e está levando o nome do Brasil aos pódios internacionais. Precisamos de muito incentivo, nós precisamos de patrocinadores para começar a acontecer grandes eventos aqui e revelar mais talentos. Entrando um dinheirinho, uma ajuda de custo isso daí ia facilitar na formação de grandes campões.
FP: Você acredita que o Jiu-Jitsu seja viável economicamente? Que alguém possa sobreviver como professor?
JG: Eu acho que o Jiu-Jitsu perdeu um pouquinho do glamour. Aqui no Brasil é triste, porque lá fora está em ascensão e aqui está decadente. Você nossos vários professores estão procurando mercado no exterior porque aqui é economicamente inviável você viver sendo professor de Jiu-Jitsu. E acho que algumas coisas têm que ser mudadas eu acho que uma intervenção governamental seria muito interessante, por exemplo: o Jiu-Jitsu nas escolas, incentivos, ajuda de custo, projetos sociais e hoje você vê grandes professores indo lá para fora para dar seminários.
Como já falei anteriormente, o importante é mostrar esse lado de que não é violência gratuita. Você vê os lutadores que sobem no rinque, tem uma rotina, tem toda uma preparação para cada luta. É muito esforço, muita determinação, envolvem muitos profissionais. O lutador de Vale Tudo tem que ser, em primeiro lugar e isso já foi provado pelo Royce lá e por outros lutadores de Jiu-Jitsu, que o chão é fundamental. Hoje o lutador que sobe no ringue e não sabe "chão", é quase impossível vencer a luta. É exatamente, quer dizer e hoje requer é várias modalidades por exemplo o lutador de bechmark arts, lutador de Vale Tudo eles treinam chão, treina quedas, treina Moaitai, boxing, wrestling em função de deixar seu adversário para baixo e Jiu-Jitsu eu acho o mais importante porque é o que você consegue as finalizações. Você pode terminar uma luta principalmente sem inclusive machucar seu adversário, acho isso um trunfo muito importante.
FP: Hoje quais são suas principais atividades?
JG: Hoje sou apresentador do programa "Passando a Guarda" do Hora da Luta, sou comentarista do Premier e também sou âncora do canal Combate que é um canal 24 horas, canal pay-per-view 100% lutas. Sou também promotor de lutas eu agencio alguns lutadores lá fora e formei uma parceria com Rudimar Fedrigo que é o fundador da academia Chute Box e que tem vários destaques no cenário internacional, como: Wanderley Silva, Murilo Ninja, Shogun, em outros e nós resolvemos criar um evento de Vale Tudo que a gente acabou chamando MECA.
FP: Porque esse nome Meca?
JG: Esse nome Meca veio em função do Brasil ser a Meca do Valeu Tudo. Tudo começou aqui no Brasil a verdade é essa. E esse evento funciona também com a parceira do Rudimar que funciona perfeitamente porque ele tem grandes atletas de ponta e que gostam de competir não só pela grana, porque hoje em dia, tudo ou quase tudo é em função do dinheiro, mas o Rudimar é um educador. Ele prega que na sua academia que o lutador tem sempre estar competindo, treinando e tem que levar o negócio a sério, tem que ter muita determinação e isso reflete no sucesso de cada um e esse evento funciona como trampolim para os lutadores nacionais irem aos grandes eventos internacionais. O que foi o caso dos lutadores: Wanderlei Silva, Anderson Silva, Asuério, Shogun, Murilo Ninja foram lutar no PRIDE, ULTIMATE em grandes eventos graças às belíssimas performances apresentadas nos eventos nacionais como: IVC, WVC e MECA.
FP: Gostaria de contar algum furo exclusivo para nós do FERNANDO PINDUKA.COM?
JG: Agora daqui a bomba em primeira mão, nas internas! Vai rolar o MECA XI no Caio Martins em Niterói-RJ no dia 13 de março isso aí é uma bomba. Vamos trazer grandes lutadores de nível internacional, vamos sacudir o Caio Martins.
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Agradecimentos à Churrascaria Tourão pelo espaço concedido.