Atualmente, um problema que preocupa toda uma sociedade é a violência. As notícias de episódios de violência e de selvageria são noticiados freqüentemente pela imprensa e, na maioria dos casos, as artes marciais são responsabilizadas pela participação de lutadores, principalmente de Jiu-Jitsu, que é a luta do momento. Este esporte é focalizado pela mídia como o grande responsável e produtor dos vândalos do momento.
Venho prestar o meu depoimento pela experiência que tenho de 30 anos de Jiu-Jitsu, tendo começado em 1968. Acompanhei as diversas etapas de sua evolução, quando foi criada, em 1967, a primeira Federação de Jiu-Jitsu do mundo ( Federação do Estado da Guanabara ), tendo a honra de participar do primeiro campeonato oficial de Jiu-Jitsu, em 1973. Em todo este tempo, aprendi os fundamentos da filosofia da arte, elaborada pelo Mestre Carlos Gracie, grande ícone, com o qual pude conviver de uma maneira muito próxima.
Tão importante quanto a técnica do Jiu-Jitsu, transmitida brilhantemente pelos verdadeiros grandes mestres, Hélio Gracie e Carlson Gracie, é a sua filosofia. Ela deve ser ensinada paralelamente ao seu aprendizado prático. Os seus princípios são os quatro fatores básicos para a formação do homem: a plena consciência do seu ser, o desenvolvimento da força interior, o auto-controle e a coragem.
O corajoso está sempre atento aos valores éticos e morais do seu comportamento. Ele evita, assim, as atitudes negativas, como a covardia, o desrespeito, se transformando num fraco.
O verdadeiro campeão é aquele que consegue superar todas essas situações de fracasso. É um vencedor dentro e fora do ringue, superando os adversários e os obstáculos da vida, em busca da sua auto-superação. O Jiu-Jitsu tem o poder de dar ao seu praticante todas essa consistência psicológica.
Sendo a arte-marcial que mais cresceu nos últimos anos, o Jiu-Jitsu sobre também com as conseqüências do desenvolvimento. Com a proliferação dos praticantes e academias, é natural que surjam também professores despreparados. Por isso, é de grande importância que as entidades dirigentes desse esporte tomem providências imediatas, fiscalizando os estabelecimentos de ensino, para cuidar da especialização dos profissionais que atuam no meio. Essas medidas têm que ser tomadas para que o Jiu-Jitsu não deixe de transmitir os seu princípios filosóficos na orientação dos jovens e alcance também o seu grande objetivo, que é a sua inclusão nas Olimpíadas.
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