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17. Alívio para o estresse.
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Data:jornal O GLOBO, domingo, 3 de janeiro de 2010. Por Antônio Marinho.

ALÍVIO PARA O ESTRESS
Pesquisador americano ensina como lidar de forma eficaz com a tensão
emocional para manter o bem estar


O ano mal começou e há quem já esteja estressado com a quantidade de contas e impostos a pagar este mês ou mesmo com preparativos para as férias. Esta reação é boa em certa dose, porque funciona como um estímulo, essencial à vida. Apaixonar-se, por exemplo, é um tipo de estresse. A ação da gravidade no corpo também, porque ajuda a manter o cálcio no esqueleto. Em muitos casos, porém, a tensão passa do ponto e permanece, desequilibrando todo o organismo e provocando doenças graves como câncer e depressão. Isso se torna ainda mais perigoso em pessoas que vivem num ritmo acelerado e dependentes de aparelhos tecnológicos.

Para o pesquisador americano Brian Luke Seaward, especialista no tema, é possível alcançar o equilíbrio entre estresse positivo e negativo, a partir de mudanças de comportamentos e uso de várias técnicas de relaxamento, meditação, musicoterapia, exercícios e orientação nutricional.

Professor da Universidade de Illinois e de outras instituições americanas, o autor do livro “Stress
— aprenda a lidar com as tensões do a dia-a-dia e melhore sua qualidade de vida” (Novo Conceito, Saúde) afirma que controlar a tensão é possível, mas reconhece que esse é um grande desafio para a maioria. Para vencê-lo, primeiro é preciso conhecer os tipos de estresse, nem todos ruins.

O melhor deles Brian chama de eustresse, que aparece em qualquer situação animadora, como ficar apaixonado, encontrar um ídolo. Já o neutresse é a informação ou estímulo pouco importante. Por exemplo, saber de um acidente num lugar distante. Enquanto o distresse é a interpretação desfavorável ou negativa de algo, o que chamamos de estresse. E mais que características genéticas ou biológicas, a maneira como aprendemos a reagir a essas situações é que faz a diferença. Isso começa na infância:

— Muitos dos comportamentos são aprendidos no início da vida e às vezes os pais não se dão conta do que passam aos seus filhos. As crianças são como esponjas, absorvem tudo, especificamente pistas, exemplos, de comunicação não verbal. Isso vale para atitudes que levam ao estresse.

E no ritmo que vivemos hoje é preciso estar mais atento, já que a capacidade de adaptar-se às situações do dia a dia é limitada pela fisiologia. Por exemplo, o corpo humano não foi projetado para ficar ligado 24 horas, sete vezes na semana, ou para o indivíduo se sentar num terminal de computador oito, 12 ou 14 horas ao dia. Brian até criou o termo “tecnoestresse”, para definir a vida acelerada dependente de meios tecnológicos. Antes se pensava que computadores, celulares, palmtops dariam mais tempo de lazer, mas, em vez disso, nos tornamos escravos desses aparelhos, afirma.

Parece besteira, mas ele lembra que precisamos de oito horas de sono diárias, nutrientes saudáveis e exercícios físicos para o processo metabólico e regulação interna do corpo. Porém as pessoas se deixam governar por seus egos e perdem sua capacidade de manter esse equilíbrio delicado. Com o tempo, isso vai gerar doenças. Tanto que Brian diz que há conexão direta entre estresse e câncer. Nessa situação, o corpo libera cortisol, secretado nas glândulas suprarrenais para preparar o corpo para lutar ou fugir. Se isso persiste, o cortisol aumenta muito no sangue, destruindo as células brancas. E quando a contagem delas cai, o sistema imunológico enfraquece. Algumas dessas células ajudam a lutar com tumores. Sem elas, fica mais fácil eles se proliferarem.

— Não há separação de corpo e mente, corpo e espírito. As doenças têm um componente emocional, e a associação de estresse e doença é enorme, desde um resfriado a câncer. Há também relação entre estresse e depressão, por causa de questões não resolvidas e profundamente enraizadas no subconsciente — explica Brian.

Criar limites saudáveisé o primeiro passo.

Segundo Brian, as pessoas que dizem não ter hora de relaxar demonstram poucas habilidades para gerenciar seu tempo, conflítos de valores, falta de limites pessoais e um grande ego.

- Elas justificam seu comportamento dizendo não ter hora de relaxar, quando são as que mais precisam desse tempo. São mais propensos à propensos à vitimização, ou seja, a culpar os outros pelos seus problemas, em vez de assumirem sua própria responsabilidade. De modo distorcido, tendem a usar o estresse como um símbolo de status para melhorar sua autoestima. Essa é uma falsa sensação de importância, de valor - diz.

Só quando aparece um problema de saúde grave é que a pessoa se senteobrigada a reexaminar sua vida. Embora não haja uma melhor estratgia para lidar com o "tecnoestresse", pode-se puxat as rédeas para não ficar tão dependente. A decisão número um é criar limites saudáveis para tudo, desde o uso de culular ao hábito de ler e-mails.

- Lembre-se de que as pessoas viviam muito bem sem essas conveniências há poucas décadas. Os limites saudáveis incluem desligar o celular depois das 20h; apenas verificar os emails no início e/ou fim do dia, em vez de fazer isso a cada cinco minutos. Ser multitarefa é um mito. Raramente uma pessoa pode fazer bem muitas coisas ao mesmo tempo. Se as sugestões parecem absurdas para você, provavelmente é um cyberadicto. A tecnologia não é boa ou ruim; é como fazemos o uso dela. É importante analisar sua relação com a tecnologia e fazer mudanças, adaptações - recomenda.