Clipping do Site
16. Técnicas personalizadas aceleram a reabilitação.
www.fernandopinduka.com                email: fernandoprof@fernandopinduka.com
Data:14/06/2009


Da agência o globo
Em 2003, a fonoaudióloga Laura Motta, agora com 28 anos, estava trabalhando normalmente quando, de repente, se sentiu mal e desmaiou. Ao acordar, depois de 53 dias em coma, estava tetraplégica. Só conseguia mexer os olhos. Ainda sem um diagnóstico exato do que a deixou nesse estado, ela já recuperou movimentos da cintura pra cima, e continua em seu esforço incansável para voltar a andar com as próprias pernas. Laura se trata no Centro Internacional Sarah de Neurorreabilitação e Neurociências do Rio, inaugurado há um mês. O alto índice de recuperação na Rede se deve, em grande parte, à proposta de investir no que a pessoa ainda pode ganhar, não no que ela perdeu. Também novas técnicas que usam treinamento de força e funcionais aceleram a recuperação de pessoas com lesões.
Referência em casos de acidente vascular cerebral, paralisia cerebral, traumatismo cranioencefálico, mal de Parkinson e declínio cognitivo por demências, o Sarah atrai cientistas e profissionais de saúde de vários países.

GOSTOS PESSOAIS Mas o que parece ser um segredo guardado a sete chaves é simples. A neurorreabilitação no Sarah leva em conta o que a pessoa sente prazer em fazer e sua rotina. Laura, por exemplo, gosta de dançar e se exercita num aula para cadeirantes. “O acompanhamento interdisciplinar faz a diferença na minha recuperação”, diz Laura, que gostaria de retomar as aulas de mergulho.
Dança é uma das opções na unidade carioca, com capacidade para atender até 20 mil pacientes gratuitamente por mês; sem emergência. Dependendo da história de cada um, pode ser pintura, música, atividades na piscina, jogos, entre outros, explica a neurocientista Lúcia Willadino Braga, diretora-presidente e executiva da Rede. Ela já apresentou o método em 40 países. E França, Estados Unidos, China e Índia são alguns dos interessados em implantá-lo.
Contextualizar o tratamento de neurorreabilitação é o principal avanço nessa área, afirma Lúcia. E explica por que: “Há alguns anos, um exercício era o mesmo para todos com lesões neurológicas. Imagina um arquiteto, advogado, atleta fazendo algo sem o menor interesse, como pintar pano de prato. Aí sim tinha certeza que estava doente e deprimia ainda mais”.
Para especialistas a adaptação de exercícios convencionais de fisioterapia a uma situação à qual a pessoa já estava acostumada antes de sofrer a lesão ajuda muito. Pode-se fazer um mesmo movimento dançando, jogando ou em qualquer outra atividade. A reabilitação deixa de ser estéril. Acabou o conceito de que o paciente não pode mais fazer isso ou aquilo.

UM PROGRAMA O treinamento de força adaptado a esses casos também está atraindo um número cada vez maior de pessoas com lesões ósseas e musuculares. Ele pode ser realizado antes de uma cirurgia e associado ou não à fisioterapia. O personal trainer Emanoel Pinheiro Andrade diz que muitas pessoas saem da fisioterapia e querem logo retomar as atividades físicas que praticavam antes de se machucar. Isso é um risco ainda maior.
“O treinamento muscular tem que ser adaptado, com a série adequada a cada aluno e às suas necessidades. Se a pessoa já praticava atividade física antes, a sua recuperação será mais rápida. Independentemente disso, é possível, hoje, auxiliar qualquer pessoa”, diz Emanoel, um dos mais requisitados no Rio, e que usa aparelhos de musculação convencionais e de exercícios funcionais no treino.
Rodrigo Costa Gonçalves, que operou o joelho duas vezes no ano passado, tem certeza disso. Ainda em janeiro deste ano estava mancando. Com o treino específico para sua lesão, com exercícios no bosu (uma meia bola) e outros, participou de uma prova de corrida de 16km e já surfa: “O resultado foi muito rápido e estou liberado para voltar a jogar futebol”.
Há casos em que o treino ajuda até a evitar ou adiar ao máximo uma cirurgia. “Às vezes uma dor lombar pode ser tratada apenas com exercícios de reforço dessa musculatura”, diz Emanoel.
Marcos de Sá Rêgo Fortes, doutor em educação física e do Instituto de Pesquisa e Capacitação Física do Exército (IPCFEx), comenta que a evolução de aparelhos isocinéticos, que analisam diferenças de forças em grupamentos musculares, melhorou muito o diagnóstico e o desenvolvimento de novos tratamentos nessa área. Eles permitem elaborar gráficos e relatórios das principais articulações lesadas por pessoas que praticam esportes.
“Porém, mesmo numa simples análise postural é possível ver desvios de coluna e outros desequilíbrios. O mais importante numa reabilitação física é não pular etapas”, diz Fortes.