T- A que você atribui o problema da arbitragem no Jiu-Jitsu?
Eu acho que a arbitragem tem que ser reformulada para que possamos diminuir o número de jurados para cada luta. Diminuindo a quantidade de árbitros, colocando um árbitro central somente como apontador, eu acho que poderíamos fazer cursos e seminários para a especializar esses árbitros para que possamos fazer um quadro nacional, um quadro fixo, para que a Confederação possa ter um departamento exclusivo de arbitragem. Acho que a saída é essa.
T- Durante competições, com freqüência, os árbitros também assumem os papéis de técnico, professor e competidor. Você acha que isso atrapalha o desenvolvimento de arbitragem?
Eu acho que quando ele for competir, ele não deve integrar o quadro de árbitros, e quando ele for professor e tiver treinando, dando instruções para algum atleta seu, no momento ele deve estar afastado também. Eu acho que o árbitro tem que ser neutro, né? Se o indivíduo é treinador da equipe "A" e tem um lutador das equipes "B" e "C", lutando ele pode ser o árbitro desse confronto. Mas se tiver um atleta da equipe "A" contra a equipe "C", aí ele já não pode participar. O que acontece é isso. No sistema de três jurados, a gente via muitos jurados que pertenciam à mesma academia de um dos competidores. Então isso levava a um resultado às vezes duvidoso, as pessoas trabalhavam com má-fé para ajudar, e outros, até por incompetência.
T - Como poderia ser formação oficial dos árbitros?
Eu acho necessário que a Confederação e a Federação criem um departamento de árbitros e ponha alguém responsável por ele, ou uma comissão de arbitragem responsável, justamente para dar curso para esses árbitros e professores que têm por intenção trabalhar no evento. Seria importante que tivesse um número de professores, ou de atletas, ou de competidores, com esse curso de arbitragem justamente para dar credibilidade ao evento. Então ele seria um membro do departamento de arbitragem. Ele já teria credibilidade por ter feito cursos, vários seminários, entendeu? Isso daria consistência ao conhecimento dele e daria credibilidade porque ele estaria vinculado a um departamento de arbitragem. Seria de suma importância para terminar com essa polêmica de "roubou, não roubou". Fazendo o curso, qualquer pessoa teria o conhecimento maior.
T - Até que ponto a má arbitragem pode comprometer a integridade física dos atletas?
A má arbitragem acarreta em vários fatores. Eu, que já fui atleta, já competi, eu sei com é árduo se preparar para uma competição. Você se prepara dois, três, quatro meses para uma competição, aí chega, perde uma luta por um erro da arbitragem. Então a arbitragem tem que ser responsável pela integridade do atleta. O árbitro tem que ter conhecimento de primeiros socorros, saber socorrer um atleta no local da competição. Toda competição tem que ter um corpo médico. Dentro desse curso de arbitragem, seria importante também o árbitro ter conhecimento de socorros urgentes, reanimação do atleta. Caso ele apague, seria de suma importância. A integridade física do atleta é de responsabilidade do evento, da Federação. Acho que tem que ter um corpo médico e o árbitro tem que estar ali pronto para colaborar e também atento para se o atleta tiver o braço no pau, já para quebrar, ele parar a luta antes de acontecer uma contusão. Isso é muito importante, inclusive em competições infantis, onde o garoto que está pegando o golpe, às vezes é maudoso, às vezes não sabe até que ponto pode apertar ou não. Então um árbitro experiente neutraliza a possível contusão antes que ela aconteça. Tudo isso seria enfocado no curso. Teriam médicos, fisiologistas, uma séria de pessoas que podem contribuir na formação de um bom árbitro.