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10. JORNADA DUPLA.
Carreiras
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Hobbies   Executivos aliviam o estresse com esportes nada convencionais
por Pierre Baldez
Jornada dupla

A farda para encarar o batente é a mesma de qualquer executivo: terno, gravata e sapatos lustrados. As ferramentas de trabalho não fogem do lugar-comum? Computador, telefone, caneta e voz de comando. Nos ombros de homens que tem a missão de liderar, às vezes, centenas de funcionários, há uma carga pesada de estresse que , no dia-a-dia, pode passar despercebida pelos subordinados. Para enfrentar a pesada rotina, alguns desses executivos substituem os tradicionais chope e cigarro por esportes nada convencionais.

Judô, karatê, capoeira e taekwondo foram algumas das artes marciais praticadas, na adolescência e durante boa parte da fase adulta, por Sergio Hartenberg, superintendente da Light. Mais tarde, na década de 80, a maratona e o ciclismo passaram a ser o seu hobby. Só que, nos anos 90, por causa do acréscimo de trabalho, a inércia falou mais alto e ficou por cerca de dez anos sem uma atividade esportiva constante.

Em 2003, aos 45 anos, antes que o sedentarismo causasse um mal maior, Hartenberg decidiu que era o momento de volta à ativa e fez vista grossa para outra maratona: a de comandar centenas de funcionários, enfrentar quatro reuniões diárias e ter que apagar alguns incêndios na sua área, num percurso de cinco dias na semana, com largada às 8:30 e fim de expediente, normalmente, sem horário certo para terminar. "Muitas vezes, ainda faço planejamento à noite e no fim de semana", acrescenta.

Hartenberg conta que, há dois anos, começou a assistir lutas de vale-tudo na TV e bateu a vontade de praticar arte marcial novamente. Nessa volta, treinou um mês de judô, no entanto, se sentiu inseguro na academia porque não buscava pancadaria. Por intermédio da mulher dele foi parar no dojô do professor de jiu-jitsu Fernando Pinduka, em Copacabana. E descobriu na arte suave, como também é conhecido o esporte disseminado mundo a fora pelos Gracie, uma relação com o trabalho e vida. "A primeira lição no jiu-jitsu é não se deixar desequilibrar emocionalmente, a segunda, não se afobar para sair da guarda do oponente, aprender a construir, e a terceira, saber esperar para se defender". Traça um paralelo.

CANSAÇO E CONTUSÕES
NÃO ATRAPALHAM

Nos três primeiros meses, Hartenberg, que hoje é faixa azul e treina três vezes por semanas aproximadamente 1h30m por dia, diz que sofreu uma série de contusões por causa do esforço físico da atividade. Mas hoje não sente mais nada. "Saio do treino cansado e feliz, chego em casa com um sorriso nos lábios. O ambiente é quase um templo, fico em estado de graça", relata o executivo. Ele faz questão de manifestar que o mérito do seu desempenho físico e emocional se deve ao jiu-jitsu e muito à generosidade do mestre Pinduka, que forma discípulos desde 1985.

 
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